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Advogado das famílias. "Investigação ao caso Meco falhou em tudo"

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"Nunca houve interesse em investigar este processo", diz o advogado das famílias

Pais dos estudantes que morreram vão recorrer do arquivamento do caso e ameaçam processar o Estado português

Os familiares dos seis estudantes da Universidade Lusófona que morreram na praia do Meco em dezembro de 2013 vão recorrer do arquivamento do caso e querem processar as autoridades por falhas na investigação.

O Tribunal de Instrução de Setúbal decidiu esta quarta-feira não levar a julgamento João Miguel Gouveia, ex-responsável máximo pelas praxes na Lusófona e único sobrevivente da tragédia, considerando não existirem indícios de crime na morte dos seis jovens.

"Os pais das vítimas entendem que devem recorrer para o Tribunal da Relação de Évora. Se a decisão vier a ser igualmente desfavorável, temos depois seis meses para levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que irá julgar a atuação das autoridades portuguesas neste processo", diz ao Expresso o advogado Vítor Parente Ribeiro, considerando que a investigação "falhou em tudo".

"Nunca houve interesse em investigar este processo. A investigação começou tarde e foi sempre conduzida com base na premissa de que foi um acidente. Nunca foi feita uma investigação séria", criticou.

O Tribunal de Instrução Criminal de Setúbal decidiu esta quarta-feira arquivar o caso e não julgar João Gouveia pela morte dos colegas.

Em comunicado, o juiz de instrução afirma não existirem indícios de que o ex-dux da Lusófona tenha "sujeitado, pelo menos conscientemente, os colegas falecidos a um perigo que não pudessem eles próprios avaliar e evitar", nem que mantivesse sobre os seis jovens "um qualquer dever de guarda, vigia ou assistência e os tenha, já no mar, deixado à sua sorte".

"Assim, conclui o Tribunal não estarem indiciados factos susceptíveis de consubstanciarem ilícito de natureza criminal, nomeadamente o de exposição ao abandono", adianta o documento.