Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Açores. Defender as ondas colocando-as no mapa

  • 333

O arquipélago açoriano vai ser pioneiro num sistema de informação geográfica que ordena o espaço marítimo da região e inclui os "hot spots" para surfar no meio do Atlântico.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

"Proteger as ondas colocando-as no mapa é uma forma de melhorar as tomadas de decisão do Governo Regional e esse é o principal objetivo deste projeto." Quem o afirma ao Expresso é Paulo Melo, dirigente local da delegação açoriana da Surfrider Foundation, que convenceu o Governo Regional a incluir toda a informação sobre as melhores ondas para a prática de surf no sistema de informação geográfica do mar dos Açores (SIGMAR).

O projeto é pioneiro e deverá estar disponível ao público até final de abril. Por enquanto, a Surfrider Foundation continua a fazer a identificação das zonas de elevado potencial para a prática da modalidade nas nove ilhas do arquipélago. A organização não-governamental de defesa do surf e dos oceanos, criada em Malibu (EUA) em 1984, tem um núcleo nos Açores desde 2011.

Quando a informação estiver completa, será introduzida na plataforma online do SIGMAR e poderá ser consultada por todos os interessados. Porém, "o mais importante", destaca Paulo Melo, "é que se trata de uma ferramenta que permite uma melhor tomada de decisão" quando o Governo regional pretender construir um porto, um molhe ou outra qualquer infraestrutura na costa de uma das ilhas.

Para trás ficam exemplos contrários, como a construção do porto de Rabo de Peixe ou do molhe da Ribeira Quente, "que acabaram com duas das melhores ondas da ilha de São Miguel".

A ideia foi bem acolhida por Fausto de Brito e Abreu, secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia: "O Governo Regional entende que a qualidade das nossas ondas para a prática de surf é um recurso marinho com potencial económico e uma mais-valia ambiental". Por isso, este responsável não teve dúvidas em acolher a iniciativa e incorporá-la no Ordenamento do Espaço Marítimo açoriano. O objetivo é também, diz, permitir "avaliar o impacto ambiental de futuras obras na orla costeira e gerir conflitos entre diferentes atividades na utilização das áreas marinhas".

Quando tiver o levantamento feito, a Surfrider Foundation pretende consultar todas as associações de surf do arquipélago para, em conjunto, decidirem quais os pontos que se manterão secretos para o público geral. O Governo regional e os cientistas terão acesso à informação mas não os surfistas, "pois faz parte da cultura do surf existirem 'secret spots', já que algum segredo apela à descoberta".

Com o início, este ano, de voos de baixo custo para os Açores, este tipo de turismo tenderá a aumentar.