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A propósito das legislativas, um pedido dos bispos aos políticos: "Digam-nos como e não apenas o quê"

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FOTO PAULO CUNHA / LUSA

Bispos portugueses, reunidos em Fátima, abordaram o atual momento político do país - comentaram as presidenciais e as legislativas. Questionados se seria importante os candidatos assumirem o facto de serem ou não católicos, salientam que Portugal é "um Estado laico" e aquilo que interessa aos católicos "é o que interessa a todos os portugueses". "Cheques em branco não é bem a altura para os passar."

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) insistiu esta quinta-feira na necessidade de haver nas eleições legislativas "propostas convincentes", com o "deve e haver ao lado", e considerou a proliferação de candidatos às presidenciais como um "exercício de cidadania".

 

"Muitas vezes nós ouvimos mais casos do que propriamente causas e dentro deste 'fait divers' - 'é este candidato, é aquele candidato, é esta pessoa, é aquela pessoa...' - nós ficamos sem ir ao cerne da questão", afirmou Manuel Clemente na conferência de imprensa após mais uma assembleia plenária da CEP, em Fátima, no distrito de Santarém.

 

Defendendo que se apresentem "propostas concretas e convincentes, também com o deve e haver ao lado, o como, o quanto", o cardeal-patriarca apelou: "Digam concretamente, digam-nos como e não apenas o quê e isto parece-me ainda muito arredado do debate político como ele é apresentado".

 

Questionado se seria importante os candidatos assumirem o facto de serem ou não católicos, Manuel Clemente salientou que Portugal é "um Estado laico" e aquilo que interessa aos católicos "é o que interessa a todos os portugueses".

 

Confrontado sobre a proliferação de candidatos à Presidência da República, o presidente da CEP disse ver esta situação como "um exercício de cidadania" que "não é exclusivo de Portugal".

 

"Já sabemos que, com o tempo, e depois até com a própria participação das forças políticas organizadas, vai ficar mais restrito. A cidadania é assim", considerou, reiterando a necessidade de serem apresentadas "causas, programas e reflexões concretas" em áreas como a vida, a família, o emprego, o trabalho, os excluídos.

"Mas não digam apenas que querem resolver - isso queremos todos. Como, concreto, isso é que é fundamental".

 

Para o presidente da CEP, "a atividade política é, também, uma pedagogia".

"É um exercício de cidadania, mas se eu quero intervir mais ativamente propondo-me a um cargo na vida política, também tenho uma responsabilidade pedagógica. Tenho uma ideia, uma causa a propor ou a defender e digo como", referiu, afirmando que "aparece pouco".

 

Segundo Manuel Clemente, o que se pretende saber é "quais são os problemas, quais são as propostas para os resolver e como", porque "cheques em branco não é bem a altura para os passar".