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"A mulher de Carlos Santos Silva pediu-me para eu convencer o marido a mudar o depoimento"

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António José Morais, professor de José Sócrates na Universidade Independente, foi constituído arguido no DCIAP. O processo tem a ver com uma queixa por crime de coação apresentada pela advogada de Carlos Santos Silva, o amigo do ex-primeiro-ministro que está preso, como ele. Morais tem uma versão diferente. 

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) decidiu, esta quarta-feira, constituir como arguido António José Morais, o engenheiro civil que se tornou famoso por ter sido o professor de José Sócrates em quatro de cinco cadeiras do último ano de engenharia civil na Universidade Independente nos anos 90. Avançada pela edição online do Diário de Notícias, a informação foi confirmada ao Expresso pelo próprio professor Morais.

O processo-crime foi aberto no mesmo departamento que está a investigar alegados crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais cometidos por José Sócrates enquanto era primeiro-ministro. E resulta de uma queixa apresentada por Paula Lourenço, advogada de Carlos Santos Silva, empresário da construção civil preso preventivamente, tal como Sócrates, na sequência da Operação Marquês, o nome com que foi batizado o processo-crime conduzido pelo procurador Rosário Teixeira. A existência da queixa foi revelada esta quarta-feira pela revista Sábado e confirmada pela advogada de Santos Silva ao Expresso.

Em causa estarão alegadas pressões exercidas por António José Morais junto da mulher de Carlos Santos Silva, Inês Pontes do Rosário, no sentido de o empresário e arguido na Operação Marquês comprometer José Sócrates no processo em que ambos são arguidos por corrupção, mudando o teor das declarações prestadas ao Ministério Público.

Ao Expresso, António José Morais diz-se amigo de Santos Silva há 30 anos e lamenta que "a advogada esteja a arranjar manobras de distração" e a arrastá-lo para um problema que não é o seu. O antigo professor de Sócrates na Universidade Independente conta a sua versão dos factos, que é exatamente contrária àquela que vem na queixa: "Eu não conhecia a Inês e ela telefonou-me no início de fevereiro. Fui ter com ela ao escritório. Disse-me que não estava a gostar da estratégia de defesa que estava a ser seguida, que o marido estava a ser prejudicado. Pediu-me para ir falar com ele à prisão e tentar convencê-lo a mudar o depoimento que tinha feito."

Morais adianta que decidiu não ir à cadeia. "Achei que era melhor não fazer isso", diz. O processo-crime em que agora é arguido, apesar de estar no mesmo departamento da Operação Marquês, não vai ser dirigido por Rosário Teixeira.