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A Lua aqui tão perto

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Hoje à noite teremos uma Lua cheia muito especial, não apenas por ser a maior dos últimos 18 anos, mas também porque neste século só haverá 20 super-luas cheias semelhantes a esta. É uma oportunidade única para passarmos a noite em branco. 

Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)

Hoje à noite teremos uma Lua cheia muito especial, não apenas por ser a maior desde 1993, mas também porque no século XXI só haverá 20 super-luas cheias semelhantes a esta, entre um total de 245.

Será uma noite deslumbrante, clara, límpida, plena, com um romantismo também muito especial, até porque coincide com o início da primavera. Enfim, é uma oportunidade única para passarmos a noite em branco. E em boa companhia...

Afinal de contas, a Lua é um dos maiores satélites naturais do nosso Sistema Solar, é a principal responsável pelas marés, e a tendência de os oceanos acompanharem o movimento da sua órbita atrasa em 0,002 segundo por século o movimento de rotação da Terra.

Filha da Terra

Parece uma ninharia, mas é por essa razão que a Lua se afasta do nosso planeta três centímetros por ano, em média. Apesar disso, é uma verdadeira filha da Terra, pelo menos a acreditar na teoria científica com mais adeptos.

Essa teoria, conhecida por Big Splash, diz que havia um planeta chamado Theia, com a dimensão de Marte, que no início da formação da Terra, há mais de quatro mil milhões de anos, chocou com ela, desintegrou-se e espalhou pelo espaço enormes pedaços de rocha no estado líquido.

Estes pedaços, parecidos com os asteroides que circulam entre Marte e Júpiter, foram-se juntando pouco a pouco, por ação da força de gravidade da Terra, e acabaram por formar o nosso único e romântico satélite natural, que nos acompanha sempre na nossa viagem pelo cosmos.

18 anos depois

Na última vez em que a Lua esteve tão perto da Terra como estará hoje à noite, Bill Clinton tinha apenas dois meses como Presidente dos EUA. Enfim, parece que foi há muito tempo, porque depois de Clinton já tivemos George W. Bush e Barack Obama à frente dos destinos da maior potência do planeta.

De acordo com David Luz, investigador do Observatório Astronómico de Lisboa, o perigeu da Lua (o ponto mais próximo da Terra, que sucede a cada 27,3 dias) atingirá o seu valor mais baixo desde o mínimo histórico de 8 de março de 1993.

"Isto sucede pela ação de outros astros, que influenciam a órbita da Lua", refere o astrónomo. Na prática, a Lua estará cerca de 6500 km mais perto, já que o valor médio do perigeu é cerca de 363 mil quilómetros.

Uma benesse para os astrónomos a observarem melhor, porque para além da Terra, a Lua é o único astro cuja geologia conhecemos em detalhe. Não apenas por estar tão perto de nós, mas também porque já deixámos as nossas pegadas no seu solo poeirento.

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