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800 escolas em Portugal têm amianto

De acordo com um levantamento divulgado pelo Governo, 16% dos 12.944 edifícios públicos têm amianto nos revestimentos e coberturas. De todos os ministérios, o da Educação é o que tem mais infraestruturas construídas com esse material tóxico e cancerígeno

Nino Fox

Material tóxico e cancerígeno está proibido em toda a União Europeia desde 2005.

Cerca de 800 escolas, universidades e politécnicos em Portugal têm amianto na sua construção, um material tóxico e cancerígeno que está proibido em toda a União Europeia desde 2005 pelos riscos que acarreta para a saúde.

De acordo com um levantamento divulgado pelo Governo, 16% dos 12.944 edifícios públicos têm este material nos revestimentos e coberturas. De todos os ministérios, o da Educação é o que tem mais infraestruturas construídas com amianto. No total, são cerca de 800 os estabelecimentos de ensino que foram identificados como podendo ter esta fibra na sua construção.

Por ser altamente resistente e proporcionar bom isolamento térmico e acústico, o amianto foi utilizado em larga escala no passado, particularmente entre 1945 e 1990, sobretudo em telhas de fibrocimento, revestimentos e coberturas de edifícios. Na União Europeia, a sua utilização está proibida há nove anos.  

O perigo decorre sobretudo da inalação das fibras libertadas para o ar. Segundo a Direção-Geral da Saúde, a exposição a qualquer tipo de amianto deve ser reduzida ao mínimo, uma vez que todas as variedades desta fibra microscópica são cancerígenas.

Por inalação, as partículas de amianto podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer, podendo vir a provocar doenças - nomeadamente cancro do pulmão ou cancro gastrointestinal - vários anos ou décadas mais tarde.

A lista publicada no Portal do Governo resulta de um levantamento feito pelo Executivo em todos os edifícios, instalações e equipamentos onde se prestam serviços públicos, com o objetivo de determinar aqueles que contêm amianto na sua construção.

Os 2015 edifícios identificados serão agora alvo de análises mais aprofundadas para determinar aqueles que poderão ser apenas "sujeitos a ações regulares de monitorização" e quais terão de ser alvo de obras para remoção do amianto.

O Governo realça que "esteve e está atento a este problema", tendo realizado "centenas de inspeções destinadas a avaliar a presença de amianto em edifícios públicos" e, em alguns desses casos, as consequentes intervenções de substituição e remoção dos materiais contendo esta fibra.