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58 diretores demitem-se em bloco no Hospital de São João. Administração solidária

"O hospital de São João vive numa situação limite e a direção não quer ser responsabilizada por não prestar serviços de saúde de qualidade aos seus doentes", salienta fonte desta unidadede saúde

Rui Duarte Silva

Asfixia burocrática, subfinanciamento, equipamentos obsoletos e falta de material ditam demissão em bloco no Hospital de São João. António Ferreira alertou há dois meses o ministro Paulo Macedo para situação insustentável.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

António Ferreira, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto, avisou há dois meses o ministro da Saúde de que a situação clínica tornara-se "insustentável", sendo impossível tratar dos doentes com qualidade.

Segundo apurou o Expresso, o ministro da Saúde respondeu ao gestor que apresentasse um conjunto de propostas para inverter a situação de asfixia dos serviços, mas até hoje o hospital não obteve resposta.

Em reunião, esta manhã, os 66 diretores de serviço clínicos e não clínicos e os responsáveis por unidades intermédias de gestão da unidade hospitalar portuense demitiram-se em bloco, o que levou a administração a mostrar-se solidária com as suas lideranças intermédias, tendo reportado a situação à tutela. Subfinanciamento, asfixia burocrática, equipamentos obsoletos e falta de material são algumas das queixas comunicadas ao Ministério da Saúde.

Apesar de solidária, a administração não entregou nenhum pedido de demissão e vai manter-se em funções. O mesmo deverá acontecer com a direção clínica do hospital.

"O hospital vive numa situação limite e a direção não quer ser responsabilizada por não prestar serviços de saúde de qualidade aos seus doentes", salienta fonte desta unidade hospitalar.

Há dois anos que o São João aguarda, em vão, uma autorização do Ministério das Finanças para contratar auxiliares de serviço. Hoje, a gota de água terá sido o continuado silêncio de Paulo Macedo.

Manuel Pizarro acusa ministro de ter centralismo cego

Manuel Pizarro, o presidente da concelhia do PS/Porto e vereador da Câmara da cidade afirma estar muito preocupado com o que se está a passar no hospital. "Sei que este conjunto de responsáveis se demitiu por estar indignado com as condições em que se trabalha no São João, claramente insuficientes para manter serviços de qualidade numa área em que em primeiro lugar estão as pessoas", refere Pizarro, também ele médico e ex-secretário de Estado da Saúde.

O dirigente afirma que esta é uma situação que compromete diretamente o ministro da Saúde, responsável por uma política que acusa de ser centralista e pouco sensível aos problemas do país e das pessoas. Pizarro acrescenta que Paulo Macedo "não pode continuar em silêncio e tem de reagir rapidamente a esta situação".