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Expresso

Sociedade

Médicos da Alfredo da Costa vão suspender horas extra

Tiago Miranda

Chefes de equipa de ginecologia e de obstetrícia da maternidade lisboeta avisam que só fazem mais duas semanas de trabalho extraordinário

Depois do pedido de demissão entregue na quarta-feira, os responsáveis pelas equipas de ginecologia e de obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, vão recusar fazer mais horas extra. Os especialistas fizeram saber entretanto que dentro de duas semanas vão começar a recusar o trabalho extraordinário, desde logo na Urgência.

O atendimento aos casos urgentes tem sido garantido por oito equipas, num total 39 médicos. Destes, treze têm mais de 50 anos, sete mais de 55 e dois mais de 65 anos. Num comunicado desta quinta-feira, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul sublinha que os especialistas "com mais de 50 anos têm o direito a pedir escusa de horário noturno e os colegas com mais de 55 anos podem, ao abrigo da lei, não prestar trabalho em urgência". Logo, "se estes médicos decidirem exercer os seus direitos fica gravemente posta em causa a qualidade e o funcionamento da urgência da MAC", avisam.

A administração da unidade, parte do Centro Hospitalar de Lisboa Central, garantiu na quarta-feira que os médicos continuavam em funções e que a situação estava "controlada e ultrapassada". Isto depois de, no final da semana passada, terem surgido denúncias sobre o fecho de camas e a transferência de grávidas para o Hospital de Santa Maria.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, já admitiu que existem constrangimentos pontuais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas garantiu que está a ser feito o empolamento desses constrangimentos. A resposta não agradou ao presidente da Federação Nacional dos Médicos. Para João Proença, o ministro é "patético, incompetente e cínico".