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Laura Soveral. “É uma vida de interpretação que nos deixa”, diz Paulo Trancoso

Paulo Trancoso, presidente da Academia Portuguesa de Cinema, recordou que a atriz tinha sido galardoada, em 2013, com o Prémio Carreira, e, há dois anos, com o Prémio Bárbara Virgínia, que distingue uma mulher do cinema português

O presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, lamentou esta quinta-feira a morte da atriz Laura Soveral, sublinhando que a artista dedicou toda a vida à interpretação", no cinema e no teatro.

Contactado pela agência Lusa, o produtor comentou que a notícia deixou "muito triste" a Academia Portuguesa de Cinema, já que Laura Soveral era um membro honorário "muito especial".

A atriz Laura Soveral morreu esta quinta-feira, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de Esclerose Lateral Amiotrófica, disse à Lusa a filha da atriz, Paula Soveral.

Paulo Trancoso recordou que a Academia tinha galardoado a atriz, em 2013, com o Prémio Carreira, e, há dois anos, o Prémio Bárbara Virgínia, que distingue uma mulher do cinema português.

"Era um membro muito especial da Academia, e, portanto, sentimos muito o seu falecimento. Trabalhou com muitos realizadores de cinema, tanto jovens como mais antigos", desde António-Pedro Vasconcelos, a Manoel de Oliveira e João Botelho.

Lembrou ainda que foi das primeiras atrizes a trabalhar numa novela brasileira, na Globo, em "O Casarão", em 1976.

Conheceu-a pessoalmente na série que produziu, intitulada "A Viúva do Enforcado": "Logo aí percebi a atriz excecional que era, com uma calma muito especial, com uma grande tranquilidade nas suas interpretações".

"Tanto no cinema como na televisão, ela foi uma atriz de destaque", salientou o produtor, finalizando: "É uma vida de interpretação que nos deixa".

Nascida em Benguela, Angola, em 23 de março de 1933, Laura Soveral fixou-se em Lisboa, nos anos de 1960. Estreou-se em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d’Ávila.

Nos palcos, trabalhou com companhias como Teatro da Cornucópia, Teatro Experimental de Cascais, Novo Grupo/Teatro Aberto e A Barraca, tendo participado em encenações como "O avarento", "A Casa de Bernarda Alba", "O processo de Kafka", "D. Quixote" e "Primavera Negra".

Em 2013, fez a derradeira atuação em teatro, com “O Público”, sobre textos de Federico García Lorca, com encenação de António Pires, numa produção conjunta do Teatro do Bairro, com o Teatro São Luiz, em Lisboa.

A telenovela "Belmonte", emitida pela TVI em 2014, foi a última em que participou.

No cinema, as últimas atuações de Laura Soveral, depois de "Tabu", passaram por "Cadências Obstinadas", de Fanny Ardant, e “Os Maias - Cenas da Vida Romântica”, de João Botelho.

A Academia Portuguesa de Cinema distinguiu-a com o prémio de carreira, em 2013, e com o Prémio Bárbara Virgínia, de homenagem a mulheres do cinema português, em 2017.

Na altura, a academia disse que Laura Soveral representa "um extraordinário exemplo de determinação e profissionalismo para gerações futuras".