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Polícia Judiciária deteve 56 elementos dos Hell Angels numa operação destinada a desmantelar a organização

NurPhoto/Getty

Os detidos são suspeitos de integrarem os Hell Angels, um grupo motard “constituído por indivíduos extremamente perigosos, com vastos antecedentes criminais e larga experiência na área da criminalidade violenta e organizada”, disse a Polícia Judiciária

A operação desencadeada esta quarta-feira pela Polícia Judiciária contra o grupo de motards Hell Angels envolveu 400 elementos da PJ, que fizeram 56 detenções, e visou desmantelar a estrutura, apelidada pelas autoridades como uma "violenta organização criminosa". Quatro dos elementos dos Hells Angels foram detidos em flagrante por posse de arma de fogo.

Em conferência de imprensa, o diretor nacional da PJ e a coordenadora da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo explicaram que esta ação estava programada há algum tempo e que em causa estão indícios de tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física, associação criminosa, já que há vários inquéritos incorporados. Entre os 56 detidos, estão cinco cidadãos estrangeiros, da Alemanha e da Finlândia, e vários elementos da segurança privada.

Em comunicado, a PJ esclareceu que, através da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) e numa investigação titulada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), desencadeou esta megaoperação, que se insere "no âmbito de vários inquéritos em que se visa investigar as atividades ilícitas desenvolvidas em território nacional pela organização Hell Angels Motorcycle Club (HAMC)".

A PJ referiu que a estrutura criminosa é "constituída por indivíduos extremamente perigosos, com vastos antecedentes criminais e larga experiência na área da criminalidade violenta e organizada", refere o comunicado da Polícia Judiciária. "Os detidos irão ser presentes a partir de amanhã [quinta-feira] a primeiro interrogatório judicial para a aplicação da medida de coação tida por conveniente", acrescenta. A PJ prestará durante o dia de hoje esclarecimentos adicionais acerca do desenvolvimento desta operação.

No passado mês de março, uma rixa envolvendo elementos do Hell Angels de outro grupo motard (Red & Gold) dentro de um restaurante no Prior Velho (Loures) fez seis feridos.

Não há motivações políticas

A coordenadora Manuela Santos explicou aos jornalistas que a ação policial de hoje estava programada "há algum tempo" e que "os objetivos foram cumpridos", adiantando que a contabilidade do material apreendido ainda não pode ser feita porque há equipas que ainda não chegaram à sede. Questionada sobre a motivação do grupo Hell Angels, a coordenadora negou que tivesse motivações políticas, nomeadamente de movimentos de extrema-direita.

"Muitas vezes os Hells Angels são integrados por 'skinheads', mas este fenómeno não tem como motivação política ou ideológica", explicou a coordenadora da operação acrescentando que o grupo está ligada "à atividade comum como tráfico de armas e de droga, extorsão e lenocínio". Este grupo já existe em Portugal desde 2002 e, segundo a dirigente da PJ, estava a ser acompanhado pela polícia desde então.

Os atos violentos ocorridos em março no Prior Velho, Loures, que envolveram dois grupos rivais de motards -- Hell Angels e Red&Gold - fez seis feridos, dos quais três graves foi a primeira manifestação mais violenta.

"Esta associação criminosa já existe em Portugal desde 2002 e é um fenómeno que tem vindo a crescer em número de pessoas e em manifestações mais violentas. No Prior Velho foi a primeira vez que houve uma manifestação tão poderosa e em força como uma associação criminosa", afirmou Manuela Santos, acrescentando que foi a primeira vez 100 elementos atuaram em grupo "com o objetivo comum de eliminar a concorrência".

A operação policial de desmantelamento do grupo também teve em conta a realização, de 19 a 22 julho, do encontro de Motards de Faro.

O diretor nacional da PJ Luis Neves ressalvou o facto de a operação policial ter culminado com o desmantelamento de uma associação criminosa "que impedia a liberdade dos cidadãos, nomeadamente nas estradas" e foi fruto de muito tempo de investigações que contaram com a ajuda do Serviço de Informação e Segurança, GNR, PSP.

Os detidos começam na quinta-feira a ser ouvidos por um juiz de instrução para a aplicação da medida de coação.

[Texto atualizado às 19h55]