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Médicos da Maternidade Alfredo da Costa apresentam carta de demissão

Nuno Botelho

Chefes de equipa de ginecologia e obstetrícia da maternidade lisboeta justificam a decisão com a falta de recursos humanos e cansaço dos profissionais. Administração afirma que a situação “está controlada e ultrapassada”

Chefes de equipa de ginecologia e obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, apresentaram a demissão. A administração da unidade, integrada no Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), afirma que a situação "está controlada e ultrapassada".

Os profissionais que assinaram e entregaram a carta, a que a agência Lusa teve acesso, indicam que há falta de recursos humanos e que os profissionais estão exaustos. Fonte do CHLC explica que a carta foi entregue, mas que os profissionais se mantêm em funções e que a situação se encontra "controlada e ultrapassada". "

No documento, os médicos afirmam que já alertaram "várias vezes para a exaustão dos profissionais, que se agravará com o período de férias que se aproxima". A notícia foi avançada pela Rádio Renascença e, entretanto, confirmada pela Lusa, que teve acesso ao documento e falou com fonte oficial do centro hospitalar.

No final da semana passada, surgiram denúncias sobre o fecho de camas e a transferência de grávidas da maternidade para o Hospital de Santa Maria. Os responsáveis do CHLC disseram, então, que nenhuma alteração tinha sido feita ao funcionamento da Urgência após o dia 1 de julho, incluindo por força do horário de 35 horas semanais.

Num documento interno a que o Expresso teve acesso, os gestores explicam que, "comparando as dotações de enfermeiros existentes com as do ano anterior, a diferença no número de enfermeiros por turno deve-se apenas a um maior absentismo atualmente registado". Mas, tendo noção da existência de dificuldades, a administração garante estar "a procurar, dentro das suas capacidades, reforçar as equipas em função das contratações que já foram autorizadas e que se fixam em 145 para todas as categorias profissionais".

Ainda na sexta-feira, a mesma decisão de demissão de funções foi tomada pelos 16 chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral do Hospital de São José, também parte do CHLC. Igualmente neste caso, os gestores hospitalares garantiram que estavam a tentar encontrar soluções para os problemas apresentados, desde logo a falta de recursos humanos.

O Expresso tem tentado obter explicações da administração do CHLC, mas a presidente, Ana Escoval, reitera que não fala sobre este assunto.