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O Porto disse “Yes we Can” com Obama

"Yes we Can". A célebre frase que ajudou Barack Obama a conquistar a Casa Branca foi dita apenas uma vez na cimeira Climate Change Leadership, no Porto, mas poderia ser adotada como lema do evento, apresentado por Catarina Furtado, e do Porto Protocol, que vai reunir várias empresas em torno do problema das alterações climáticas.

"Oh, Yes, we can". O slogan que ajudou Barack Obama a conquistar a Casa Branca foi dito apenas uma vez na Climate Change Leadership, no Porto, por Catarina Furtado, a apresentadora da cimeira, mas quem ouviu o 44º presidente dos Estados Unidos percebeu que esta pode ser, também, a frase certa para falar de alterações climáticas. Todos juntos "podemos fazer a diferença" e vencer este desafio.

Barack Obama, o principal orador desta cimeira, foi claro neste ponto. Afirmou que “podemos reduzir as emissões de gases em 30 a 35% com as tecnologias que já existem, frisando que, apesar de o seu sucessor na Casa Branca (Donald Trump), “não concordar com as suas iniciativas ambientais, o caminho iniciado terá continuidade”. “Tenho confiança que a politica dos EUA se alinhe novamente com o pensamento científico (nestas matérias)”, avançou.

As perguntas previamente selecionadas a que respondeu nesta conferência podem contar-se pelos dedos das mãos, mas, durante 1 hora, sem nunca citar o nome de Donald Trump, o ex-Presidente do EUA fez várias referencias ao atual presidente, por vezes com ironia, como quando destacou as boas notícias nesta área: Uma dessas boas notícias é que “o meu país foi o único país a sair do acordo de Paris”, disse.

No Coliseu do Porto, Obama recordou o Hawai onde cresceu para justificar a sua sensibilidade em questões ambientais, ao ver o oceano e a subida do nível da água e os seus impactos, uma preocupação que o levou a colocar a questão das alterações climáticas no topo da agenda durante os anos da sua presidência. Depois de sair da Casa Branca, reconheceu que “houve retrocessos”, mas mantém o tom otimista.

“Neste trabalho para responder as alterações climáticas, alguns esforços são já inevitáveis”, afirmou, animado por muitas empresas já terem começado a perceber que era importante manter o trajecto iniciado: “Mesmo com a legislação a retroceder em algumas casos, as coisas avançam e ainda podemos continuar a ver progressos nesta área. Muitos países reconhecem que há metas para alcançar e, se essa força continuar, tenho a certeza de que os EUA vão voltar a envolver-se no esforço de redução das emissões de gases”, disse Obama, convicto de que o país acabará por voltar ao protocolo de Paris.

Sem perder a esperança, Barck Obama garantiu ainda ter “confiança de que cada vez mais países terão metas mais ambiciosas no que respeita às alterações climáticas”. Sentado no palco do Coliseu frente a Juan Verde, presidente da Advance Leadership Foundation, Obama respondeu às questões previamente enviadas pela organização do evento durante precisamente 1 hora, das 15h às 16h, como estava previsto no programa oficial.

O 44º Presidente dos EUA foi recebido com palmas dos 2200 participantes no evento, foi várias vezes aplaudido durante a sua intervenção e foi ovacionado no final. O Coliseu, com 4000 lugares, não encheu, mas levantou-se para se despedir de Barack Obama, que seguiu de imediato para Madrid por ter “uma agenda muito cheia”, sem se esquecer de deixar uma justificação pela breve passagem por Portugal, país ao qual agradeceu “a enorme hospitalidade”, garantindo que voltará. “Tenho de vir passar féria , relaxar e experimentar o Vinho do Porto”, anunciou.

“A Michelle detesta a política”

Antes da intervenção, num encontro privado de cinco minutos, cumprimentou alguns membros da organização e patrocinares do evento, entre os quais Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, Paulo Azevedo, presidente da Sonae, António Rios Amorim, da Corticeira Amorim, Nuno Botelho, líder da Associação Comercial do Porto, Nuno Pires, da Essência do Vinho, e e Adrien Brigde, do grupo The Fladegate Partnership. O Expresso sabe que neste encontro Obama já tinha tecido elogios ao Porto, referido a sua "agenda difícil" e manifestado vontade de vir passar férias à cidade, apesar, de desta vez, ter optado por ir dormir a Madrid.

Logo a seguir, Barck Obama tirou fotografias com 100 convidados, em encontros sucessivos de apenas alguns segundos durante os quais foi perguntando o nome de cada um, antes de posar para a fotografia. No Coliseu houve ainda espaço para algumas confidencias, como o facto de “a Michelle detestar política”. No entanto, sublinhou que política também podem ser causas como aquelas pelas quais lutaram Nelson Mandela, na África do sul, ou de Martin Luther King, nos EUA.

Aos mais novos deixou uma nota de incentivo, recordando que foram os jovens entre os 20 e 24 anos, “melhores do que a classe política estabelecida” que o ajudaram a conquistar a presidência.

Uma das citações mais aplaudidas da tarde foi uma referência indireta a Trump: “Há uma altura em que não há muros suficientemente altos para impedir que as pessoas com fome arrisquem”.