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Moha Munasenghe: Este prémio Nobel quer ser adotado por Portugal

Prémio Nobel da Paz 2007, orador da cimeira Climate Chance Leadership Porto 2018, confessou-se apaixonado por Portugal, país que desafiou a adotá-lo entre palmas e sorrisos

Porque não me adotam? Foi assim, com uma pergunta simples, em português, que o prémio Nobel da Paz Moha Munasenghe conquistou palmas e sorrisos no Coliseu Porto aos mais de 2000 participantes na cimeira Climate Chance Leadership que, hoje, terá como principal orador o ex-presidente norte-americano Barack Obama.

O Prémio Nobel da Paz em 2007, ex-vice-presidente da comissão intergovernamental para as alterações climáticas, explicou, o pedido de adoção, rendido a Portugal, que já visitou várias vezes. "É muito amigo, este país", diz. Gosta deste “país lindo”, gosta das pessoas e gosta da comida. Moha Munasenghe, do Sri Lanka, continuou depois a sua intervenção em inglês, para lançar alertas sobre as alterações climáticas e saudar o lançamento do Porto Protocol como “uma mensagem de esperança”, lembrando que é preciso agir e ser cada vez mais sustentável em todos os sectores.

Com as intempéries a multiplicarem-se pelo mundo, o nível da água do mar a subir, a temperatura a aumentar, o padrão de consumo global a revelar injustiças e assimetrias e cada vez mais dados científicos para mostrar tudo isto a todos, o Nobel da Paz sublinhou que é preciso passar efetivamente à ação e ter uma atenção especial com os idosos, as crianças, os mais carenciados. Moha acentuou ainda a importância do tema para Portugal e para o sector do vinho, recordando que o país tem 2,8% da área de vinho do mundo, 9% das exportações do sector e é o 12.º maior produtor.

Manifestou esperança de ver os produtores de vinho ajudarem a criar valores nesta área. Uma das medidas urgentes a adotar “é o reforço da aposta nas energias renováveis”. Outra é a integração da política de ação na área das alterações climáticas nas diferentes estratégias nacionais, envolvendo todos. Neste caminho, “vejo o Porto Protocol como um catalisador de interação entre os diferentes players”, disse. “Afinal, temos já teorias e logística sobre este assunto. E a implementação que é o elo mais fraco”, frisou. E terminou a sua intervenção com uma saudação da terra natal que pede à chuva para vir na hora certa.

Irina Bukova, ex-diretora geral da Unesco reforçou as preocupações sobre o quadro atual, com um foco especial no futuro das regiões património mundial. Se Veneza ou Nova Orleães podem desaparecer debaixo de água, a produção nas mais importante regiões vitivinícolas pode ter uma quebra de 2/3, dizem os investigadores e diz a oradora. Acredita que o Porto Protocol pode ser o próximo passo para preservar a natureza classificada como património mundial, além de defender a criação do novo índice climate vulnerability índex.

Entre as primeiras adesões à Porto Protocol, organização que juntará parceiros de todas as empresas empenhadas no combate às alterações climáticas, está o grupo promotor Fladegate, a Sonae, a BA Vidros, a Corticeira Amorim e a PriceWaterhouseCoopers.

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