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Ministro da Saúde apanhado de surpresa com demissões no São José

MANUEL DE ALMEIDA / Lusa

Responsáveis do Hospital de São José, em Lisboa, dizem que o serviço de urgência não tem níveis de segurança aceitáveis e precisa de um "plano de catástrofe". Adalberto Campos Fernandes não sabia de nada

O ministro da Saúde foi apanhado de surpresa pela notícia das demissões de responsáveis do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), que esta sexta-feira deixaram os cargos por considerarem que o serviço de urgência do Hospital de São José não tem níveis de segurança aceitáveis.

Adalberto Campos Fernandes estava a sair de um ato oficial na Fundação das Comunicações quando soube da notícia, divulgada pela agência Lusa, e remete todas as explicações para a presidente do Conselho de Administração do CHLC, Ana Escoval, que até ao momento se manteve inacessível.

O Expresso sabe que a responsável daquele centro hospitalar, um dos maiores do país, estava ao final da tarde no Ministério da Saúde.

Na carta de demissão, a que a Lusa teve acesso, os chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral do Centro Hospitalar de Lisboa Central apontam para a consecutiva degradação da assistência médica prestada no serviço de urgência do São José, considerando que se chegou a uma "situação de emergência" que impõe "um plano de catástrofe".

Ao Expresso, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha, garantiu que as demissões são "um grito de revolta perante a incapacidade e a incúria da administração" do CHLC - que agrega hospitais como São José, Curry Cabral ou a Maternidade Alfredo da Costa - em resolver problemas, sobretudo a falta de médicos. A presidente do CHLC recusou dar explicações sobre o caso, mas fez saber ao Expresso que "estão a ser feitos esforços para tentar encontrar uma solução para os problemas apresentados", no caso, pelos chefes de equipa demissionários.