Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

”Iniciativa Pró-Montado Alentejo” quer combater o “avanço do deserto do Sahara” no país

Tom Stoddart/Getty Images

Iniciativa visa resolver a “problemática do montado do Alentejo”, em particular os montados de Sobro e de Azinho, “cuja sobrevivência, no longo prazo” está em risco

O grupo de cidadãos que compõe a "Iniciativa Pró-Montado Alentejo" quer combater a desertificação naquela região e a "entrada e o avanço do deserto do Saara", situação que consideram inevitável se o Governo não adotar medidas.

"Nada fazer e conceder na desflorestação do Alentejo é uma atitude política assaz condenável, com impacto devastador na coesão económica, social e ambiental regional e que permitirá a entrada e o avanço do deserto do Saara", dá conta a informação disponibilizada nesta quinta-feira pela "Iniciativa Pró-Montado Alentejano", durante uma conferência de imprensa na Liga para a Proteção da Natureza (LPN), em Lisboa.

O grupo, constituído por produtores de sobreiros e cortiça, municípios do interior alentejano, associações ambientais e especialistas, foi criado para "alertar o Governo" para a necessidade de uma "maior atenção e ajustes na política, medidas e ações para a floresta multifuncional do sul" de Portugal.

A iniciativa visa resolver a "problemática do montado do Alentejo", em particular os montados de Sobro e de Azinho, "cuja sobrevivência, no longo prazo" está em risco, segundo as informações prestadas. Os promotores da iniciativa referiram que houve "três secas por década, no Alentejo", a partir de 1990, que estão a provocar "consequências nefastas na coesão económica regional, o avanço do deserto para norte e problemas na cadeia de abastecimento [da cortiça]".

A "Iniciativa Pró-Montado Alentejo" explicou também que "este Governo não está a dar sinais de fazer uma correta avaliação do risco das alterações climáticas no Sul do país", acrescentando que "o montado de Sobro do Alentejo não é transferível para Norte", como foi pensado pelo Governo socialista. "Os resultados práticos, em termos de rendimento para os produtores e de cortiça de qualidade para a indústria, a jusante, demorarão cerca de 30 a 40 anos a aparecer", vincaram.

A informação avançada pelo grupo relembra que o Alentejo "é, de longe, o repositório principal do fornecimento de cortiça do país, sendo o montado de Sobro o seu povoamento florestal". "A mão-de-obra empregue na cortiça é a mais bem paga no setor agrícola", referiram, acrescentando que "chega a atingir 100 euros por dia".

A "Iniciativa Pró-Montado Alentejo" considera que os montados podem combater a desertificação, servindo como uma "barreira natural" à entrada do Saara em Portugal, elencando que "esquecer isto é expor meio Portugal à desertificação". Por isso, o grupo de cidadãos propõe diversas medidas ao executivo liderado por António Costa para combater a desertificação do Alentejo e o desaparecimento dos montados, entre as quais "voltar às densidades antigas entre as 80 e as 100 árvores" por hectare -- atualmente há cerca 60 árvores por hectare segundo as informações fornecidas durante a conferência de imprensa.

A iniciativa indicou que, no Alentejo, há 530 mil hectares de árvore de sobreiro - representando 72% do total desta espécie no país - e a existência de mais árvores por hectare vai "aumentar o ensombramento", levando à diminuição da temperatura, referiu o grupo.

Para combater a desertificação e perda do montado alentejano, o grupo pede ao Governo que "reveja a versão atual do Plano de Ordenamento Florestal do Alentejo (PROF-AL)", introduzindo novos parâmetros "como dias de calor 'fora da época'". Também são medidas ponderadas o reforço do "valor atual Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020 Florestal" em mais 133 milhões de euros entre 2018 e 2020.

A "Iniciativa Pró-Montado Alentejano" vai ser recebida em 10 de julho pelos grupos parlamentares do BE, CDS-PP, PEV e PAN na Assembleia da República.