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Sociedade

Abrandamento no combate ao VIH pode hipotecar conquistas diz diretora do programa de combate à doença

Dezembro de 2010. Bombaim recordava 
os milhares 
de pessoas que o vírus da imunodeficiência humana vitimou 
ao longo das últimas décadas. Naquele ano, perto de 4,8 milhões 
de pessoas viviam 
com o VIH 
no continente asiático, 49% das quais na Índia. A seguir a África, é aqui que continua a surgir um maior número 
de casos todos os anos e que o combate 
se mantém mais difícil. Desde a identificação clínica do vírus, 
em 1981, morreram mais de 35 milhões 
de pessoas em todo 
o mundo. Apesar 
dos avanços 
no tratamento 
e da melhoria 
de muitos indicadores (na Índia, a prevalência desceu para menos 
de metade), hoje — especialmente hoje, Dia Mundial da Luta Contra a Sida — continua-se a chorar 
as vítimas da epidemia. Em Bombaim 
e um pouco 
por todo o mundo

Getty Images

"Tudo o que conquistámos até agora é facilmente hipotecado se houver um desaceleramento em algumas das estratégias, quer em termos de diagnóstico, quer em termos de luta contra o estigma, quer em termos de prevenção de novas infeções", disse Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida

A diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, Isabel Aldir alertou esta quinta-feira para a necessidade de manter o empenho e investimento na luta contra a doença, considerando que um abrandamento pode hipotecar o que já foi conquistado.

"Tudo o que conquistámos até agora é facilmente hipotecado se houver um desaceleramento em algumas das estratégias, quer em termos de diagnóstico, quer em termos de luta contra o estigma, quer em termos de prevenção de novas infeções", disse Isabel Aldir em declarações aos jornalistas durante a cerimónia de apresentação do relatório "Infeção VIH e Sida -- Desafios e Estratégias.

O programa das Nações Unidas para o VIH/sida - conhecido como 90/90/90 - pretende que, até 2020, 90% das pessoas com VIH/sida estejam diagnosticadas, que 90% dos diagnosticados estejam em tratamento e que 90% dos que estão em tratamento atinjam uma carga viral indetetável ao ponto de ser impossível transmitir a infeção.

Portugal já atingiu dois desses objetivos: a identificação das pessoas infetadas e as pessoas que têm carga viral indetetável.
De acordo com o último relatório da situação de Portugal, e com dados de 2016, 91,7% das pessoas que vivem com a infeção VIH estão diagnosticadas, 86,8% das pessoas diagnosticadas estão a ser tratadas e 90,3% das pessoas que estão em tratamento têm carga viral indetetável.

Portugal está entre o restrito grupo de países europeus com mais pessoas com VIH diagnosticadas e com mais doentes em tratamento que deixaram de transmitir a infeção, revelou hoje um responsável da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isabel Aldir explicou que esta é a tradução de todo um empenho que tem existido por parte de toda a sociedade na luta contra esta doença mostrando que é possível alcançar o objetivo de eliminar a doença enquanto problema de saúde publica em Portugal.

Esta área, adiantou, foi sempre vista como prioritária por todos os governos nos últimos 35 anos. Sobre o diagnóstico da doença, existe ainda em Portugal uma percentagem considerável de diagnósticos tardios que, segundo Isabel Aldir, é mais frequente nos heterossexuais, uma franja da população que não se identifica como estando em risco.