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“A violência sexual é menos reconhecida do que a física e psicológica”

Os profissionais que lidam com vítimas estão menos preparados para os casos de violência sexual. CIG vai elaborar plano de formação

A falta de recursos e a cultura fazem com que, em Portugal, a violência sexual ainda não seja devidamente reconhecida pelas autoridades. Sofia Neves, investigadora e autora de um estudo sobre violência sexual nas relações de intimidade, afirma que “a violência sexual é menos reconhecida do que a física e psicológica”.

Depois da apresentação oficial do estudo que coordenou – e do qual a Comissão para a Cidadania e Igualdade (CIG) fará agora um plano de formação – a investigadora considera que é essencial que os profissionais que lidam com vítimas, como agentes da autoridade, médicos, professores e enfermeiros, recebam formação adequada.

“É importante introduzir estas questões nos currículos destes profissionais e uma maior articulação entre os diferentes setores para uma partilha de boas práticas, que também as há”, diz a investigadora do Instituto Universitário da Maia (ISMAI).

São os próprios profissionais a reconhecer que não estão preparados para lidar com os casos de violência sexual, mesmo aqueles que se passam dentro dos casos de violência doméstica. “As vítimas ficam constrangidas em referir a violência sexual. Também é uma questão cultural. Há a ideia de que as mulheres, em contexto de casamento, tem de ter sexo , independentemente da sua vontade. É uma naturalização da violência”, diz Sofia Neves.

Depois da fase de diagnóstico, cabe à CIG estabelecer um plano de formação para os profissionais. “A violência sexual é a área da violência em que a invisibilidade é maior. Traduz um grande conservadorismo, estereótipos e preconceitos. Todos têm o direito à auto-determinação sexual”, frisa a investigadora.