Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

BMW i8 Roadster, uma irresistível tentação

Sim, este é um daqueles trabalhos que faz inveja a muito boa gente. O BMW i8 Roadster chega este mês ao mercado e o jornalista Rui Pedro Reis foi conhecê-lo por fora e por dentro. O texto que se segue pode ter efeitos secundários em apaixonados por automóveis causadores de emoções fortes, assim como a reportagem em breve no “Volante”, na SIC Notícias

Rui Pedro Reis/SIC, em Palma de Maiorca, Espanha

O BMW i8 já era um dos carros mais sedutores dos últimos tempos. Tem o design de um supercarro, daqueles que fazem parar o trânsito. Agora, o i8 Roadster perde o tejadilho, o que o torna ainda mais apetecível e com um design que transborda estilo e desportividade. Eu sei que os gostos não são discutíveis e que cada um tem o seu. Mas para mim o i8 é o melhor exemplo que pode haver de um carro 200% emocional e 0% racional, que no cronómetro perde para os grande desportivos mas é um condensado de emotividade e paixão.

Igual mas não tanto

Por fora, o i8 Roadster não parece muito diferente do i8 Coupé. As linhas são as mesmas. É por dentro que está a maior diferença, já que o Roadster não tem os dois lugares traseiros – que no Coupé é quase como se não existissem, pois não dão para transportar adultos confortavelmente. Neste caso, dois lugares é uma conta perfeita.

A abertura da capota é rápida. São 15 segundos, numa operação que pode ser realizada até uma velocidade de 50 km/h. De repente, este carro parece fazer ainda mais sentido do que o Coupé, porque há um contacto mais direto com os elementos, neste caso com o vento. Mas os engenheiros da BMW trataram de minimizar a deslocação do ar a bordo. O vidro traseiro tem uma posição de conforto, em que fica cinco centímetros saliente. Pode parecer um detalhe, mas faz uma diferença grande e até consegue ser mais eficaz do que com o vidro fechado.

Os números não são tudo

Quando se olha para o BMW i8 Rodaster, a tendência é para o equiparar aos superdesportivos. Mas os números mostram que este é um automóvel extravagante sem pretensões de recordista. Faz 4,6 segundos dos 0 aos 100 km/h. Curva bem mas não é uma referência em matéria de comportamento. Mas é uma afirmação estatutária, até por ser um híbrido plug-in. A base é a mesma do i8 Coupé: um motor elétrico à frente, com 143 cv e atrás um motor três cilindros 1.5 com 231 cv. A autonomia elétrica anunciada é de 53 quilómetros. Como cada motor propulsiona o respetivo eixo, a combinação entre os dois é um exercício avançado de engenharia e é isso que torna diferente mas curioso o comportamento em curva do i8, já que o sistema transmite potência às quatro rodas para conseguir o melhor desempenho.

A sonoridade do motor 1.5 está trabalhada eletronicamente e ao início soa demasiado artificial. Mas neste Roadster a maior surpresa é mesmo o prazer que é rodar a céu aberto em modo 100% elétrico, com a aceleração vigorosa e um comportamento rebelde. Quando o motor a combustão intervém até se estranha e deseja-se regressar àquela paz no meio do turbilhão de adrenalina.

Num automóvel que é um concentrado de tecnologia, o sistema Route Guidance dá uma ajuda. Em resumo, utiliza os dados da navegação para otimizar a utilização do motor elétrico. Dentro das cidades dá prioridade ao motor elétrico. Fora dos centros urbanos poupa baterias e potencia a uso do motor a combustão. Claro que a utilização deste sistema é opcional. O seletor de modos de condução acaba por ser determinante. No modo EV, o i8 transforma-se num automóvel elétrico enquanto duram as baterias. Já no modo Sport é o motor a combustão que tem prioridade e o motor elétrico é usado como se de um turbo se tratasse, ou então para dar motricidade ao eixo traseiro, em especial nas curvas.

O peso de ser descapotável

O i8 Roadster é mais pesado do que o Coupé. São 80 quilos extra que se refletem em elementos como a estrutura do pára-brisas, que foi reforçada para resistir em caso de capotamento, e também a estrutura mecânica do tejadilho. As baterias têm o mesmo volume e peso, mas são mais densas. O resultado foi um aumento de capacidade de 7,1 kWh para 11,6 kWh. O consumo anunciado é de 2,1 litros aos 100 quilómetros. Neste caso são os primeiros 100 quilómetros, em que há o apoio do motor elétrico. Quando se esgotam as baterias, o consumo ultrapassa facilmente os cinco litros e numa condução mais desportiva pode ultrapassar os 7,5 litros.

Pouco mais do que um sonho

Agora que esta crónica está a chegar ao fim, é tempo de deixar as nuvens e aterrar na realidade do mundo atual. O i8, Roadster ou Coupé, não é um carro para todos os dias. É pouco prático para utilização em cidade, onde quer que chegue capta mais atenções que a Madonna a passear em Lisboa, e tem um preço que o torna acessível apenas a uma minoria. Tudo isto não lhe retira o encanto, antes pelo contrário. Se quer vê-lo em movimento, convido-o a ver uma das próximas edições do “Volante”, em julho, na SIC Notícias.

Ficha técnica BMW i8 Roadster

Motor
1497cc
231cv
320nm às 5 800 r.p.m.

MOTOR ELÉTRICO
143cv/105kw
250nm às 480 r.p.m.

BATERIA
11,6kWh

Transmissão
Integral
Automática 6 velocidades

Prestações
250 km/h vel. máxima
4,6s 0-100km/h

Consumos
2,1L/100km ciclo misto
46g CO2/km

Preço €165 000