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Joana Marques Vidal descansa os mais preocupados: “O MP não voltará ao que foi”

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A Procuradora Geral da República lamentou, esta quinta-feira à noite, que o discurso anticorrupção esteja afastado do discurso político

O que mudou com a atual Procuradora-Geral da República? Foi Joana Marques Vidal que se tornou implacável com o crime? E o que acontece se a magistrada sair? O Ministério Público perderá a capacidade de investigação? Estas foram algumas das perguntas a que a Procuradora respondeu, na noite desta quinta-feira, durante um jantar debate, a uma plateia que misturava fãs e cidadãos preocupados com um Ministério Público (MP) sem Joana Marques Vidal.

Mas a Procuradora descansou os ânimos. Para Joana Marques Vidal, há hoje um novo conjunto de ação, uma nova metodologia e novas perceções que fazem com que o MP já não volte atrás, mesmo que ela não continue no cargo.

"O que há de diferente agora é uma metodologia de ação e modo de pôr a máquina a funcionar no sentido das competências do que a lei diz. Penso que há uma concepção do MP que não voltará atrás, não voltará ao que foi", disse logo no início do jantar debate organizado pelo think thank Portugal XXI sob o lema "Ministério Público: Presente e Futuro".

Recusando-se a abordar a questão de um segundo mandato, Joana Marques Vidal recusou a ideia de que o Ministério Público atua de uma forma judicialista e que é por isso que hoje existem mais processos em investigação. "Durante muito tempo, era normal e tolerado pelas pessoas certo tipo de comportamentos censuráveis ética, deontologicamente e ao nível criminal. Era normal nos contratos - em qualquer contrato - ficar regisatada uma comissão. E há a prenda, a cunha, a cultura de tolerância face a comportamentos que não são admissíveis", frisou.

Joana Marques Vidal defendeu que é preciso discutir o tema da delação premiada e lamentou que o tema anticorrupção esteja "praticamente" ausente do discurso político. Relembrou que a Polícia Judiciária tem uma "gritante falta de meios" e que o trabalho produzido se deve a um esforço acrescido dos profissionais daquele órgão de polícia criminal.

Para a procuradora há processos complexos que precisam de equipas de magistrados de jurisdições diferentes. "É impensável que, em determinado tipo de processos complexos, a investigação seja titulada só por um magistrado porque, obviamente, a dimensão do que está em análise é tal que se exige equipas de magistrados.”