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Administração Interna abre investigação à PSP na agressão a jovem colombiana no Porto

ANT\303\223NIO PEDRO SANTOS

Eduardo Cabrita diz que “não tolerará fenómenos de violência nem manifestações de cariz racista ou xenófobo”

A Inspeção Geral da Administração Interna abriu um processo administrativo com o objetivo de esclarecer a atuação da PSP no caso da jovem mulher colombiana que foi insultada e agredida no Porto por um vigilante da 2045, empresa de segurança privada que presta serviços à STCP. A informação foi divulgada nesta quinta-feira através de um comunicado do Ministério da Administração Interna, em que se garante que Eduardo Cabrita “não tolerará fenómenos de violência nem manifestações de cariz racista ou xenófobo”.

O comunicado surge na sequência das diversas questões suscitadas hoje na Assembleia da República pelos diversos grupos parlamentares e recorda que “estão em processo legislativo as alterações à Lei da Segurança Privada”.

O caso sucedeu por volta das cinco horas da manhã do passado domingo, quando Nicol Quinayas, de 21 anos, que aguardava pelo autocarro da linha 800 na paragem do Bolhão, no Porto, foi impedida de entrar no veículo de transporte público. Antes de agredir com violência a mulher, o fiscal da STCP exclamou: “Aqui não entras, preta de merda”. A jovem, acompanhada por duas amigas, foi atacada com socos e teve de ser transportada para o Hospital Santo António, apresentando um traumatismo facial. O ofensor terá ainda gritado: “estes pretos não aprendem”.

Na tarde desta quinta-feira, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, considerou estar-se perante "uma situação absolutamente inaceitável em Portugal". Questionado sobre o requerimento que os deputados do PS eleitos pelo Porto entregaram na Assembleia da República, em que lhe exigem explicações sobre estas agressões de caráter racista à jovem de origem colombiana, Matos Fernandes indicou que a empresa Serviços de Transporte Coletivo do Porto "já não está sob" sua "tutela". "A gestão da STCP foi entregue à Área Metropolitana" do Porto "e às autarquias que hoje exploram" a empresa, esclareceu o ministro do Ambiente.

Contudo, João Pedro Matos Fernandes reconheceu que, "ainda que longinquamente, há um contrato de serviço público" respeitante à empresa assinado pelos ministérios do Ambiente e das Finanças, pelo que solicitou esclarecimentos à STCP. "Antes dessa notícia", sobre a entrega do requerimento no parlamento, "já tinha escrito duas cartas", indicou o ministro, explicando que uma foi dirigida ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, para que o seu colega do Governo o mantivesse "informado daquilo que foi sendo feito". A outra carta foi enviada "à STCP, não a determinar nada porque o poder de tutela não é meu", mas para "ter a certeza de que já foi aberto um inquérito e a pedir para que, com a maior brevidade possível, me fossem transmitidas as conclusões desse inquérito", acrescentou.

O requerimento dos deputados do PS/Porto - encabeçado por Renato Sampaio e Isabel Santos - foi dirigido ao ministro João Pedro Matos Fernandes com a justificação de que este tem a tutela da STCP. Também a constitucionalista e deputada socialista Isabel Moreira entregou outro requerimento, dirigido ao ministro da Administração Interna, para apurar qual foi a atuação dos agentes da PSP neste caso de agressões à jovem colombiana.

  • Rapariga de 21 anos, a viver em Portugal desde a infância, apresentou queixa à PSP, na madrugada de São João, após ter sido confrontada com ofensas raciais e violentas agressões por parte de um fiscal da empresa de segurança 2045, sub-contratada pela STCP. Queixa-crime segue para o Ministério Público