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Sindicato Independente dos Médicos exorta Ministério da Saúde a fazer auditoria a relatórios de telemedicina

Após ter denunciado falta de radiologistas no turno da noite no Hospital de Santo João, no Porto, Sindicato pede ao Ministério da Saúde que faça auditoria aos relatórios das empresas de telemedicina. Administração do hospital assegura serviço de qualidade na área da imagiologia

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertou, esta terça-feira, que no maior Centro Hospitalar do norte do país “não existe radiologia com presença física” no período período entre a 01 as 08 horas da manhã no serviço de urgência.

“É lamentável que num hospital de referência, como é o São João, não exista um radiologista para os colegas da cirurgia ou da ortopedia fazerem a cirurgia. Se não estiver um radiologista em presença física, muitas vezes não fazem a cirurgia, adiam-na”, garante o médico de família e dirigente sindical do SIM.

Roque da Cunha defende que é fundamental que o Centro Hospitalar São João (CHSJ) assegure a presença de radiologistas em permanência 24 horas, tal como acontece o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, ou no Hospital de Coimbra. António Oliveira e Silva, presidente do Conselho de Administração do São João, confessa-se “surpreendido com a oportunidade da denúncia”, afirmando que o “esquema do Serviço de Imagiologia se mantém inalterado desde há 15 anos”.

Oliveira e Silva afiança que o CHSJ assegura “um serviço de qualidade na área da imagiologia em todas as especialidades”, sem qualquer alteração recente no esquema de escalas. O administrador do São João garante que no hospital a radiologia convencional funcionada 24 horas, bem como a neurradiologia geral e do intervenção, enquanto a TAC de Corpo é feita exclusivamente pelo CHSJ das 8h à 1h da manhã, altura em que o serviço passa a ser garantido até às 8h por telerradiologia. Em casos de gravidade, afirma ainda que um radiologista de prevenção pode ser chamado a intervir.

“Os exames são feitos no hospital e os relatórios efetuados à distância”, diz o administrador do São João, adiantando ainda que as ecografias emergentes são realizadas no horário nocturno pelo Serviço de Urgência. “Tem sido uma boa experiência, não conheço nenhum atraso nefasto por falta de relatório presencial de radiologistas, razão pela qual penso que a denúncia do Sindicato Indepedente dos Médicos seja baseada em informação incorreta”, afirma Oliveira e Silva, embora avance que o hospital aguarda o pedido de três radiologistas, défice que atribui ao facto de serem “bastante requisitados pelos privados”.

Roque da Cunha refere que a situação não foi denunciada mais cedo porque “apenas na semana passada o sindicato teve a confirmação objetiva de que não há presença física de radiologista” durante a noite. “Já tínhamos sido alertados para o problema, mas era necessário documentação comprovativa”, afirma o dirigente sindical, inconformado com um serviço de medicina de segunda num hospital de referência. “É inadmissível que o seu responsável máximo se dê por satisfeito com o recurso à telerradiografia, feita por técnicos no local mas cujos relatórios clínicos são efetuados por empresas via internet”, diz Roque da Cunha, exortando o Ministério da Saúde a pedir uma auditoria aos relatórios da telemedicina.

“A telemedicina é um negócio. Os relatórios têm de ser feitos por especialistas de forma assertiva e com transparência”, sustenta o médico de família, que lamenta que os serviços de saúde tenham vindo a piorar nos últimos meses. O responsável sindical acrescenta ainda não ser plausível a resposta do administrador sobre o recurso a telerradiografias há mais de uma década, lembrando que nessa altura “não havia telemedicina do SNS”.