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Papa mostra-se contra exploração de gás e petróleo e exorta petrolíferas a mudar de rumo

ANDREAS SOLARO/GETTY

Manifestando-se contra o que chamou de “modalidades com que os seres humanos saciam sua ‘sede’ de energia”, o Papa Francisco apelou aos líderes das grandes petrolíferas para deixarem os combustíveis fósseis debaixo de terra para benefício da humanidade

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

“Não há tempo a perder”, afirmou o Papa Francisco este sábado numa conferência organizada no Vaticano dedicada à transição energética e ao cuidado da Casa Comum. Durante o encontro, o chefe da Igreja Católica instigou as principais empresas petrolíferas presentes no encontro — entre as quais a BP, a ExxonMobil e a Eni — a fazerem a transição para energias renováveis, apostando no que chamou de necessidade de “mudança de proporções históricas”. E sublinhou ser “ainda mais preocupante a contínua pesquisa de novas reservas de combustíveis fósseis, quando o Acordo de Paris diz que estas devem ficar debaixo de terra”.

Em causa está o crescente aumento de emissões de gases de efeito de estufa, apesar dos compromissos assumidos em 2015, em Paris, para que sejam reduzidas, de modo a impedir que as temperaturas médias globais subam mais de 2º C até ao final do século por comparação ao registado na era pré-industrial.

"A civilização requer energia, mas o uso da energia não deve destruir a civilização!”— alertou o Papa, lembrando que “a qualidade do ar, o nível dos mares, as reservas de água doce, o clima e o equilíbrio dos ecossistemas não podem sofrer por causa das modalidades com que os seres humanos saciam sua ‘sede’ de energia”.

Como já alertara na “Encíclica Laudato si”, reiterou a importância de uma transição energética que não comprometa “a Casa Comum” e que defenda os mais pobres e o ambiente. “Se quisermos eliminar a pobreza e a fome, disse, todos devem ter acesso à eletricidade, mas esta energia deve ser ‘limpa’, reduzindo o uso de combustíveis fósseis”, afirmou o pontífice. Mais de mil milhões de pessoas não têm acesso a eletricidade.

Apelando “à audácia e à imaginação”, Francisco exortou os empresários e os especialistas a colocar suas capacidades e liderança ao serviço do bem comum. "Se quisermos eliminar a pobreza e a fome, todos devem ter acesso a eletricidade, mas esta energia deve ser 'limpa', reduzindo o uso de combustíveis fósseis", sustentou, citado pelo "Vatican News".

No encontro estiveram presente os dirigentes da empresa norte-americana de investimento BlackRock, Larry Fink, do Fundo Soberano da Noruega, Yngve Slyngstad, da BP, Bob Dudley, e, da ExxonMobil, Darren Woods, entre outros. Empresas como a BP e a ExxonMobil já anunciaram estratégias para reduzir as emissões nas suas operações, mas para o Papa estes esforços “não são suficientes para a viragem no tempo certo” para travar as alterações climáticas.