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Em Salamanca marcha-se contra o nuclear, com mais expectativas

Movimentos ambientalistas e políticos de Portugal e Espanha manifestam-se este sábado em Salamanca para pressionar o Governo de Madrid a fechar a central nuclear de Almaraz e a não deixar abrir a mina de urânio de Retortillo. Pedro Sánchez já disse que centrais nucleares são para fechar

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A marcha pelas ruas de Salamanca está marcada para o final da tarde deste sábado, mas o debate pelo fim do nuclear em Espanha já aconteceu esta manhã entre representantes de vários movimentos ambientalistas e partidos políticos portugueses e espanhóis presentes no Centro Cultural Julian Sánchez. A mensagem que se ouviu vai para outro Sánchez, Pedro, o novo presidente do Governo de Madrid.

“Fechar Almaraz e todas as demais”, continua a ser a palavra de ordem dos ativistas e manifestantes que querem fechar os sete reatores nucleares existentes no país vizinho e pressionar o Governo agora nas mãos do PSOE para que não autorize a entrada em funcionamento da mina de urânio a céu aberto, localizada em Retortillo (Salamanca), a 40 quilómetros da fronteira portuguesa. Para tal até sugeriram que se faça um decreto real, antes que o Governo de Sánchez caia.

"A mudança de Governo criou uma nova expectativa", admite ao Expresso o deputado bloquista Pedro Soares, que esta manhã participou no debate em Salamanca. Isto porque o encerramento das centrais nucleares espanholas faz parte do programa de Governo do PSOE e a nova ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera — que tutela as pastas da Energia e do Ambiente — disse em entrevistas esta sexta-feira que tenciona não deixar funcionar os reatores nucleares para além dos 40 anos de vida útil. Tal significa fechar os dois reatores da Central Nuclear de Almaraz até 2020, seguindo-se o encerramento progressivo dos restantes cinco ao longo da próxima década ou até depois de 2030.

"Há uma nova janela de esperança", acrescenta Pedro Soares. O também presidente da Comissão de Ambiente da Assembleia da República deixa também um recado ao Governo português: "Esta mudança em Espanha permite mais confiança e mobilização e é uma janela de oportunidade para o Governo se mexer em defesa dos interesses de Portugal", tendo em conta os impactes ambientais transfronteiriços dos projetos nucleares espanhóis.

Também para António Eloy, do Movimento Ibérico Antinuclear, “há um momento novo no que toca às lutas ambientais e anti-nucleares", já que, sublinha, “a nova ministra do Ambiente tem credenciais sólidas e o programa do PSOE prevê o encerramento das nucleares, pensamos que até 2028, se o Governo de Sanchez se mantiver”. Eloy também diz estar “convicto de que o processo de Retortillo poderá ficar por aqui, já com custos ambientais é certo”.

Já a associação Quercus, mostra-se menos confiante. “Perante as fortes pressões da indústria do nuclear no país vizinho para que a Central de Almaraz não encerre no prazo definido (junho de 2020), é preciso que, desde já, o novo Executivo estabeleça correctamente as suas prioridades e não dê autorização para que esta Central continue em funcionamento por mais dez ou vinte anos, constituindo um dos maiores perigos para a Península Ibérica”, sublinha, em comunicado.