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Anthony Bourdain morre aos 61 anos

Mike Pont/GETTY

O chef Anthony Bourdain morreu, esta sexta-feira, aos 61 anos. A CNN diz que o apresentador da série “No Reservations”, que dedicou vários programas à gastronomia portuguesa, foi encontrado sem vida num quarto de hotel em França

O chef estrela norte-americano Anthony Bourdain foi encontrado morto pelo seu amigo e também chef francês, Eric Ripert, esta sexta-feira de manhã, num quarto de hotel em Estrasburgo, onde estava a gravar uma série de episódios para a CNN, anuncia a estação americana. A CNN acrescenta que Bourdain se suicidou.

“É com extraordinária tristeza que confirmamos a morte do nosso amigo e colega, Anthony Bourdain. A sua paixão pela grande aventura, novos amigos, boa comida e bebida e as suas histórias memoráveis do mundo fazem dele um contador de histórias único”, afirma a CNN numa nota publicada esta sexta-feira no seu site.

“Os seus talentos nunca deixaram de nos surpreender e iremos sentir muito a sua falta. Os nossos pensamentos e orações estão com a sua filha e família nesta altura extraordinariamente difícil”, diz ainda a estação americana.

Bourdain, autor e apresentador da série gastronómica “No Reservations”, gravou vários programas em Portugal, entre os quais um episódio sobre Lisboa, cujo vídeo publicamos abaixo. Em julho do ano passado, o chef gravou também um segundo programa no Porto, depois de já ter visitado os Açores.

Nascido a 25 de junho de 1956 em Nova Iorque, Anthony Bourdain era descendente de franceses e passou a infância em Nova Jérsia. Apaixonado por música e cinema, Bourdain começou a manifestar cedo interesse pela cozinha francesa.

Aos 22 anos, frequentou o Culinary Institute of America e passou depois por vários restaurantes célebres em Nova Iorque, Miami ou Washington.

Em 1999, o chef norte-americano escreveu um artigo na revista “New Yorker” intitulado “Não coma antes de ler isto” que foi desenvolvido e transformado em livro um ano depois (“Cozinha Confidencial.”) Foi a partir dessa altura que Bourdain se tornou num chef famoso, com vários prémios e livros publicados.

Assumidamente rebelde e curioso, Bourdain nunca escondeu os seus problemas relacionados com drogas. “Comecei a consumir estupefacientes assim que os encontrei”, admitiu numa entrevista ao “Guardian” em 2013, confessando que gostaria de ter sido cartoonista, mas que devido à sua falta de disciplina foi impossível alcançar esse sonho. “Podia ter morrido aos 20. Tornei-me conhecido aos 40 e fui pai aos 50”, declarou o chef noutra entrevista à GQ, em que abordou vários aspetos do seu percurso pessoal e profissional.

O chef norte-americano descrevia-se como perfecionista e hiperativo, que tinha vários interesses que tentava divulgar nos seus programas que cruzavam a culinária e os costumes das comunidades locais. “Faço sempre o meu melhor. O meu trabalho tem a ver com os meus interesses e felizmente não me sinto envergonhado dele no dia seguinte. Gosto de coisas diferentes e bonitas e, se possível, nunca antes feito. Preferiria falhar gloriosamente do que fazer o meu trabalho de forma meramente eficiente várias vezes. É assim que eu sou”.

Na sua visão, o tempo livre era o seu verdadeiro inimigo. “Apercebi-me cedo que não sou um tipo que deva ter muito tempo para contemplar os mistérios do universo. Preciso de estar sempre ocupado. Preciso de ter um projeto para agendar. É apenas a natureza dos meus demónios”, acrescentou na mesma entrevista.

Em 2007 casou-se com Ottavia Busia, com quem teve uma filha. O casal divorciou-se nove anos depois.