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Buscas em Oeiras: projeto para o Jamor na mira da Polícia Judiciária

Projeto imobiliário da antiga fábrica da Lusalite está a ser investigado pela PJ. Há suspeitas de corrupção,tráfico de influências, participação em negócio e abuso de poder. Atual presidência diz ser alheia às suspeitas

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

O atual vice-presidente da Câmara de Oeiras confirma as buscas da Polícia Judiciária à sede da autarquia mas diz que a presidência é "totalmente" alheia aos factos. A PJ estará a investigar o projeto Porto Cruz que, segundo Francisco Rocha Gonçalves, foi aprovado em 2014, "antes de nós chegarmos à Câmara". A anterior presidência era de Paulo Vistas, que foi substituído por Isaltino de Morais.

O projeto, do Grupo Sil, prevê a construção de um mega empreendimento no Vale do Jamor, junto ao rio, com oito edifícios (entre os quais três torres), uma marina, áreas comerciais e habitação. A obra implica o desnivelamento da linha férrea e da Avenida Marginal, permitindo a ligação pedonal do Jamor à zona ribeirinha.

Segundo um comunicado da Procuradoria-geral Distrital, estão a ser investigadas suspeitas relacionadas com os crimes de "corrupção passiva e ativa, abuso de poder, tráfico de influência e participação económica em negócio". Foram apreendidos documentos contabilisticos e não há, para já, arguidos.

Apelidado por “Dubai do Jamor” pelos moradores da zona, o projeto suscitou de imediato críticas e a criação um movimento cívico – “Associação Vamos Salvar o Jamor” - contra a sua construção, que aponta, entre outros problemas, o provável aumento de risco de cheias na zona, a destruição do areal e o agravamento do trânsito e ruído.

Aquando da aprovação do plano de pormenor pela Câmara Municipal de Oeiras - demorou dez anos a ter luz verde -, o então presidente da autarquia, Paulo Vistas, afirmou à Lusa que o projeto punha fim a um "tema muito polémico” devido à suspeita de acumulação de amianto e risco para a saúde pública na antiga fábrica. “Finalmente, vai-se requalificar uma zona degradada, abandonada e desprezada", sustentou. Na altura foi anunciado que os trabalhos deveriam estar concluídos em 2020.