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Julgamento do caso dos Comandos inicia-se dois anos depois das mortes em Alcochete

Tiago Miranda

Dia 27 de setembro inicia-se o julgamento às mortes dos recrutas Hugo Abreu e Dylan Silva no campo de tiro de Alcochete.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O julgamento aos 19 militares responsáveis pelo curso 127 dos Comandos vai iniciar-se a 27 de setembro às10h no Campus da Justiça, em Lisboa. Em causa está o apuramento das responsabilidades pelas mortes dos dois instruendos Hugo Abreu e Dylan Silva, em setembro de 2016, no início da recruta no campo de tiro de Alcochete. O caso começa a ser julgado precisamente dois anos depois das mortes dos jovens de 20 anos.

O Ministério Público acusou os militares de 489 crimes de abuso de autoridade e de ofensa à integridade física.

Logo após as duas mortes em Alcochete, sete militares com responsabilidades pelo curso foram detidos preventivamente. Mas acabaram por ser libertados rapidamente pela juíza de instrução Cláudia Pina, que não concordou com os argumentos apresentados pela investigação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e da Polícia Judiciária Militar.

Em junho, a PGR chegou mesmo a avançar com um processo disciplinar contra a procuradora do DIAP Cândida Vilar depois de um incidente de recusa contra a magistrada apresentado por Alexandre Lafayette, advogado de dois arguidos. Poucos dias depois, a procuradora avançou com uma acusação demolidora, não tendo dúvidas de que nos últimos anos têm ocorrido situações de abuso de autoridade nos Comandos que acabam silenciadas. Argumentos que repetiu em fevereiro durante as alegações finais no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Há cerca de um mês, o mesmo tribunal deu razão aos argumentos do MP e decidiu levar todos os arguidos do caso a julgamento, contra a vontade dos advogados que atacaram desde o início a tese da procuradora, considerando-a parcial.