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Cova da Moura. Polícia acusado de racismo e agressão nega tudo em tribunal

MIGUEL A. LOPES

Todos os 17 acusados se apresentaram no Tribunal de Sintra para responder pelos crimes graves de que estão acusados. Julgamento vai marcar novo relacionamento entre habitantes da Cova da Moura e os polícias que protegem o bairro

Violência policial, materializada em agressões, disparos, sequestro e até tortura. Atos e frases racistas e injuriosas. Tudo sem justificação aparente e de forma premeditada, acusa o Ministério Público (MP), ao referir-se à ação de 17 agentes da PSP de Alfragide, a unidade responsável pelo policiamento da Cova da Moura, um bairro degradado às portas de Lisboa. Os factos ocorreram a 5 de fevereiro de 2015.

Mais de três anos depois, o dia 22 de maio marca o começo do julgamento destes 16 homens e uma mulher, que dizem ter agido como resposta ao apedrejamento da carrinha que patrulhava o bairro. Os acontecimentos que se seguiram, já na esquadra de Alfragide, onde são acusados de novas agressões e disparos, terão tido origem na chegada de um grupo de jovens do bairro, que, segundo a versão policial, tentava forçar a entrada na esquadra.

É isso que os arguidos tentarão provar no Tribunal de Sintra, onde começam esta terça-feira a ser ouvidos. Depois de lido o despacho de pronúncia pela juíza Ester Pacheco, e de a advogada dos ofendidos, Lúcia Gomes, ter reforçado a imputação do MP, falando em “tratamento cruel e desumano”, foram apresentados os agentes sentados no banco dos réus. Todos eles mostraram intenção de prestar declarações e contar a versão que têm dos acontecimentos. Segundo a acusação do MP, os agentes “fizeram constar de documentos factos que não correspondiam à verdade”.

André Silva, o agente que conduzia a carrinha de patrulha, foi o primeiro a ser ouvido e desmentiu que alguma vez tenha proferido insultos racistas, usado a força sem justificação ou cometido qualquer dos crimes pelos quais está indiciado. A declaração durou até à hora do almoço, o que deixa o depoimento dos agentes seguintes para o período da tarde.