Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

SNS já dá comprimido que previne a infeção por VIH

Eliseo Fernandez/REUTERS

Profilaxia de pré-exposição ao vírus da sida é disponibilizada a pessoas com risco acrescido de contágio. Fármaco custa entre 500 a 600 euros mensais por pessoa

A partir desta quarta-feira, os médicos do Serviço Nacional de Saúde têm orientações para disponibilizarem o medicamento que evita a infeção pelo vírus da sida a pessoas com risco acrescido de contágio. Segundo a norma publicada pela Direção Geral da Saúde (DGS), está em situação de maior perigo quem nos últimos seis meses teve "relações sexuais sem uso consistente de preservativo" com parceiros VIH positivo ou que desconhecem se estão infetados, pessoas que usam substâncias psicoativas durante as relações sexuais e consumidores de drogas injetáveis que partilham agulhas e seringas.

A decisão de disponibilizar a profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao vírus da imunodeficiência humana (VIH) consta de uma norma publicada no final do ano passado e que esteve em discussão até ao início deste ano. Em abril, os peritos da DGS decidiram avançar a título de ensaio e agora, cerca de um mês depois, publicar as orientações concretas para as equipas de saúde. A terapêutica implica a toma diária de um comprimido enquanto há exposição acrescida ao vírus e custa, a preço de tabela, entre 500 a 600 euros mensais por pessoa.

O processo para incluir o fármaco na lista dos copagamentos do Estado está em curso no Infarmed, que deverá conseguir negociar valores mais reduzidos. Para já, o medicamento tem sido entregue gratuitamente pelo laboratório ao abrigo do Programa de Acesso Precoce. No mês de ensaio chegaram aos serviços hospitalares perto de 20 pedidos.

O número é "manifestamente pouco", lamenta a diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, Isabel Aldir. A responsável admite que há muitas pessoas em risco e não devem ficar excluídas do acesso à PrEP, para já centralizada nos hospitais da rede de referenciação para a infeção. Por exemplo, o São João no Porto, Coimbra, Curry Cabral e Egas Moniz em Lisboa, Beja e Faro.

A profilaxia de pré-exposição ao VIH já era facilitada no SNS a casais serodiscordantes que querem ter filhos e o alargamento a mais pessoas com risco acrescido de infeção é defendido por muitos médicos. "É uma estratégia que já está comprovada e que tem um custo-efetividade tremendo ao evitar novas infeções", sublinha Isabel Aldir.

Sobre o facto de a melhor estratégia, por ser eficaz e barata, ser o uso do preservativo, a responsável garante que essa sensibilização é sempre feita. "Temos de pensar que quando as pessoas se dirigem aos serviços para solicitar a PrEP essa é mais uma oportunidade para as sensibilizar para o uso do preservativo", até porque "a PrEP não protege contra a sífilis, a gonorreia ou a clamídia como faz o preservativo", alerta.

[Notícia atualizada às 12h10]