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De Mitsubishi Eclipse pela Ribeira Lima

No troço de Caminha do Rali de Portugal, com a foz do Minho ao fundo

Uma viagem por Ponte de Lima e arredores com o novo SUV da Mitsubishi, o Eclipse Cross de motor a gasolina

Quando, em 135 a.C., o cônsul Décimo Júnio Bruto chegou às margens do Lima, os legionários romanos acharam que um curso de água tão bonito só podia ser o Lethes, o rio do esquecimento que separava o mundo dos vivos do dos mortos e recusaram-se a cruzá-lo. Para provar que assim não era, o comandante romano atravessou a vau e, uma vez na outra margem, chamou cada soldado pelo nome e assim os convenceu. O episódio é evocado por um monumento mandado fazer em 2009 pela Câmara local, representando na margem esquerda um grupo de soldados romanos e na direita, o cônsul a cavalo, chamando-os.

Dois milénios depois Ponte de Lima continua a encantar os visitantes, provando que atração turística não tem que significar destruição do património. As construções tradicionais continuam de pé, o ar é puro e o silêncio só é quebrado pelo piar da passarada ribeirinha ou pelo repique dos sinos das numerosas igrejas.

Como vim aqui parar? Ao volante do Mitsubishi Eclipse Cross, a última novidade desta marca japonesa. É um SUV, claro, a meio caminho do ponto de vista de dimensões entre o ASX e o Outlander. É bem conseguido do ponto de vista das linhas exteriores e tem espaço a bordo que nunca mais acaba.

Trouxe-me a Ponte de Lima para ver, entre muitas outras coisas, o notável Museu do Brinquedo Português, na margem direita, no enfiamento da ponte medieval, agora reservada aos peões. Criado em 2012 com o apoio do município reúne os brinquedos da nossa infância, desde os carrinhos e comboios de plástico da OSUL (é a palavra Luso escrita ao contrário) aos jogos da Majora.

O Mitsubishi Eclipse Cross às portas do Museu do Brinquedo em Ponte de Lima

O Mitsubishi Eclipse Cross às portas do Museu do Brinquedo em Ponte de Lima

A viagem desde Lisboa deixou impressões contraditórias no que respeita ao motor (um 1500 turbo a gasolina debitando 163 cavalos). Excelente do ponto de vista da resposta e da facilidade de condução, tendo força para dar e vender a qualquer rotação. Ou seja há um mais que razoável binário de 250 Nm disponível desde as 1800 rotações, ainda que a aceleração possa parecer algo brusca, sobretudo nos arranques, até nos habituarmos à resposta do pedal do acelerador.

Já quanto a consumo, ainda que se tratasse de um carro praticamente novo com cerca de 2000 km, revelou-se difícil fazer menos de nove litros aos cem em auto-estrada, isto para velocidades de cruzeiro sempre inferiores a 150 km/h (no velocímetro, o que ao cronómetro significa um pouco menos).

Às compras e nos troços do Rali

Ainda que as margens do Lima, ou seja a Ribeira Lima cantada pelos poetas, tenham muito que ver, estar aqui e não ir à feira dos sábados em Vila Nova de Cerveira seria pecado. Menos extensa que a sua homóloga de Barcelos às quintas não lhe fica atrás em variedade e originalidade de bancas. Até chapéus-de-chuva fortes e feios como os dos pastores, se podem comprar aqui.

E foi aqui que se revelou outra virtude do Eclipse Cross: a versatilidade da bagageira. Com os bancos traseiros montados em calhas é fácil ajustar o compartimento de carga aos múltiplos carregos trazidos da feira, gerando um volume máximo disponível de quase 500 litros.

O Eclipse Cross espreitando pelo meio dos legionários romanos

O Eclipse Cross espreitando pelo meio dos legionários romanos

A poucos dias do Rali de Portugal (começa quinta-feira dia 17), porque não ir ver como estavam os troços deste ano? Mesmo só com tração dianteira o carro revelou motricidade suficiente para subir um atalho com algumas pedras e valas e, uma vez no troço (uma verdadeira auto-estrada em terra) desenvencilhou-se muito bem, inclusivamente numa rampa inclinada cheia de gravilha que desce do parque eólico para Caminha, onde não andámos nem um metro a direito, qual carro de ralis.

Em estradas secundárias e mesmo na terra o consumo baixou um pouco mas revelou-se virtualmente impossível fazer menos de oito litros aos cem, o que corresponde aproximadamente ao valor indicado pela marca para consumo em meio urbano.

A versão ensaiada que, recorde-se, é a gasolina, de tração dianteira e caixa manual de seis velocidades começa em €29.200 que podem baixar à volta de €3000 através da campanha de lançamento. Em breve estarão disponíveis outras versões, nomeadamente a gasóleo, com caixa automática ou tração integral.