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Enfermeiros vão manifestar-se em Belém no próximo sábado

RODRIGO ANTUNES / LUSA

Este sábado é Dia Mundial do Enfermeiro e no próximo de concentração de protesto junto ao Palácio de Belém. Profissionais querem fim do 'marasmo' na Saúde

Está marcado: no próximo dia 19, os enfermeiros vão manifestar-se junto ao Palácio de Belém, em Lisboa. A concentração foi convocada pelo Movimento Nacional de Enfermeiros e tem o apoio dos sindicatos e da Ordem. É o primeiro passo de um longo caminho de greves que se avizinham.

Este sábado assinala-se o Dia Mundial do Enfermeiro e os profissionais querem que o Governo cumpra as promessas feitas. "Há um marasmo absoluto relativamente às situações que nos preocupam, como as questões da carreira e do próprio Serviço Nacional de Saúde", afirma Tiago Craveiro, um dos fundadores do Movimento Nacional de Enfermeiros e um dos coordenadores nacionais da manifestação. As promessa feitas pelo Governo por ocasião das greves marcadas para outubro de 2017 "não foram cumpridas" e os enfermeiros continuam "sem terem uma carreira e a não serem reconhecidos".

A manifestação foi convocada "por pessoas sem qualquer ligação sindical ou partidária e vai ser uma lição de democracia para o país", explica Tiago Craveiro. "Em 2009, vimos a nossa carreira destruída e foi feita uma carreira que nunca foi implementada" e a negociação "séria com datas para implementação de uma nova carreira" não se verifica. E dá um exemplo, "há enfermeiros com 21 anos de carreira que ganham exatamente o mesmo que um enfermeiro que começou há um dia".

O Dia Mundial do Enfermeiro é ainda assinalado este sábado com o agendamento de greves, concentrações e plenários em vários hospitais do país para maio e junho. "Como o nome indica, devia ser um dia de celebração", mas os "enfermeiros portugueses infelizmente estão confrontados com um agravamento das suas condições de trabalho, fruto da inoperância do Ministério da Saúde e do Governo, e, portanto, a única forma possível de celebrar esta data é o agendamento de iniciativas de luta", diz Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

As iniciativas passam por greves em várias instituições, que já estão agendadas, e por plenários que irão decorrer em outros estabelecimentos de saúde. "Não temos outra alternativa, o Governo empurra-nos para estas iniciativas de luta e para todas as outras que possamos vir a realizar a partir de agora."

Greves até julho

Já para a próxima semana, no dia 17, está marcada uma greve e uma concentração no Hospital de São João, no Porto; no dia 22 no Hospital Amadora-Sintra, no dia 24 no Centro Hospitalar Lisboa Norte e no dia 29 no Centro de Medicina Física e Reabilitação do Centro - Rovisco Pais. A fechar o mês, no dia 30 de maio será a vez da Unidade Local de saúde de Matosinhos.

Em junho, estão marcadas greves no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, logo no primeiro dia do mês, no Hospital de Guimarães, nos dias 5, 6 e 7 e na Unidade Local de Saúde do Alto Minho a 29, 30 e 31. Na última semana de junho, decorrerá uma "ação nacional de luta" pela "admissão de enfermeiros, justo descongelamento das progressões a todos os enfermeiros, suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas", refere o SEP em comunicado.

E as ações continuam. Para a primeira semana de julho está marcada uma "ação de luta nas parcerias público-privadas (PPP)" pela "harmonização de direitos e condições de trabalho, nomeadamente salários e 35 horas semanais".