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Descobrir um outro Algarve de Opel Insignia

Opel Insignia Sports Tourer em Querença.JPG

Rui Cardoso

O turismo científico como pretexto para descobrir a nova versão da carrinha Opel Insignia

Não há um turismo mas muitos. Ao turismo mais óbvio, feito para grandes massas de viajantes indiferenciados, foram-se juntando pequenos nichos que, tomados em conjunto, representam uma realidade não desprezável. E isto quer pensemos em termos de número de pessoas, volume de negócios ou originalidade de propostas: turismo de natureza, turismo de aventura ou turismo histórico, sem esquecer o turismo científico.

Foi justamente sobre esta última vertente que em 2007 escrevi o livro “Turismo Científico em Portugal, um Roteiro” (ed. Assírio e Alvim). O que levou os organizadores do EcoFest, realizado entre 4 e 5 de maio em Olhão, a convidar-me para uma mesa redonda sobre o tema.

Para ir ao Algarve, região portuguesa que, mais que qualquer outra, nos mostra o lado negro e o lado brilhante do turismo, tive como companheiro o Opel Insignia Sports Tourer, carrinha da última geração tecnológica da marca alemã, neste caso na versão turbodiesel de 136 cavalos.

Sempre em máximos mas sem encandear

A viagem de ida pouca história teve, já que se tratava de sair de Lisboa depois de assistir à abertura da exposição “Maio 68, 50 Anos Depois”, patente no Museu do Aljube até ao fim do mês, e de escrever a notícia respetiva. Tudo isto procurando evitar a maldição da Cinderela ou seja que, passada a meia-noite, se a viagem não estivesse concluída, o carro se transformasse numa abóbora e eu num ratinho…

Se maldição havia, estava atrasada meia-hora, pois ainda não era meia-noite e meia e já estava em Olhão à porta do hotel. Isso implicou fazer toda a A2 e parte da Via do Infante suficientemente depressa para não me atrasar e suficientemente devagar para ficar aquém do limiar de deteção dos radares. Algo que significou menos de duas horas e meia de viagem (com uma pequena paragem) e um consumo da ordem dos 7,2 l/100. E permitiu confirmar algo que já sabia dos testes com o Opel Astra: a eficiência do sistema de faróis com luzes led variáveis (IntelliLux) que permitem circular sempre em máximos, com o máximo de visibilidade mas sem encandear ninguém.

O encontro sobre o turismo científico decorreu no auditório do Parque Natural da Ria Formosa, nos arredores de Olhão, cujas instalações começam a acusar o peso de anos de desinvestimento na política ambiental, agravados pela concentração das florestas e áreas protegidas numa mesma entidade mas com menos meios e pessoal. A livraria é pobre, a cafetaria quase não existe e diversas atrações da quinta desapareceram como, por exemplo, o local de criação dos simpáticos cães-de-água algarvios.

A boa notícia saída do encontro é que há múltiplas propostas na área de turismo científico, desde ações concertadas com as escolas e a rede Ciência Viva, até pequenas empresas que exploram passeios de descoberta da geologia ou da astronomia (nada melhor que a serra algarvia para ver estrelas…).

Entre figueiras e barrancos

O regresso a Lisboa, sem pressas, teve características diversas, permitindo explorar outras vertentes, tanto do carro como da paisagem. Desde logo recuperei um atalho entre a N2 (de Faro para Estói) e o Estádio do Algarve, precioso para evitar engarrafamentos em dias de jogo ou de concertos. Entre estufas e aldeias com nomes divertidos, tais como Falfosa ou Bela Salema, a carrinha Insignia foi deslizando suavemente, começando a baixar consumo para uns mais agradáveis 6,5 l/100.

A suspensão mostrou-se à altura quando foi preciso fugir aos crónicos engarrafamentos do centro de Loulé, atalhando pelo estradão de Vale do Telheiro para apanhar a municipal 525, direcção Salir, já fora da cidade. À medida que progredia para norte, outro Algarve se revelava, primeiro o dos barros e figueiras do barrocal, depois a antecâmara da serra.

Querença, aldeia típica e bem preservada, apresentou-se melhor do que me lembrava dela no tempo dos reconhecimentos para o Guia Expresso de Portugal, não faltando parques de estacionamento junto à bonita igreja e um bem delineado circuito de visita.

Opel Insignia Sports Tourer no cume do Malhão

Opel Insignia Sports Tourer no cume do Malhão

Rui Cardoso

Ataque à rampa do Malhão

O motor da Insignia Sports Tourer não se queixou da sinuosa estrada entre Querença e Salir. E muito menos do atalho entre esta aldeia e Almodôvar que nos permite, num abrir e fechar de olhos, passar do Algarve para o Alentejo, sem usar a A2 ou passar pelo martírio da parte serrana do IC1. É a prova de que para fazer andar de forma desembaraçada uma carrinha de cinco metros não é preciso um super motor de 200 cavalos: os 136 de origem chegaram e sobraram, mesmo no arremedo de troço de ralis que é a rampa do sítio do Pé do Coelho para o marco geodésico do Malhão.

O estradão de cumeada do Malhão para Fontes Ferrenhas, há muitos anos asfaltado, dá-nos uma panorâmica única: num momento estamos a rodar na serra algarvia e, de repente, os cabeços parecem ter sido nivelados e damos por nós na planura alentejana. Também podemos dar por nós com um pequeno camião em sentido contrário totalmente fora de mão a cortar uma curva cega, circunstância onde o equilíbrio do chassis da carrinha Insignia permitiu fazer uma manobra evasiva digna das que, quando era miúdo, via no jornal “Falcão” o Spitfire do major Alvega fazer aos Messerchmit alemães…

Sem baixar muito o andamento, o consumo foi caindo para os 5,5 l/100, o que embora acima do anunciado nos testes de homologação, já começa a ser simpático para uma carinha deste tamanho que, na versão ensaiada, a Innovation (já com o grau intermédio de equipamento) custa €39.100.

Com o motor de 136 cavalos o preço de entrada é de €35.200. Na versão de 110 cavalos o valor oscila entre os 32 e os 33 mil euros. Da eletrónica disponível, palmas para o alerta de ângulo morto e o alerta da aproximação a veículos e outros obstáculos. A única coisa francamente irritante é, como de resto noutras marcas, o sistema de correção de trajetória que faz intervir no volante a mão invisível de um robô quando o sistema entende que estamos em risco de sair da faixa de rodagem. Felizmente tem botão para desativar…