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Processo dos incêndios de Pedrógão vai ter mais arguidos

rui duarte silva

DIAP de Leiria não fechou investigação ao fogo de Pedrógão Grande. Grupo de seis arguidos ainda vai crescer.Incêndio matou 66 pessoas em junho do ano passado

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Quase um ano depois dos incêndios que mataram 66 pessoas em Pedrógão Grande, o Ministério Público de Leiria ainda não concluiu as investigações que vão permitir saber exatamente o que aconteceu a 17 de junho de 2017 e quem são os responsáveis pela aparente falta de eficácia na resposta ao fogo.

Para já há seis arguidos no processo - três responsáveis operacionais e três pela gestão e limpeza dos materiais combustíveis - mas de acordo com uma fonte judicial a lista de suspeitos não vai ficar por aqui. O Expresso sabe que o número de arguidos vai aumentar mas não se sabe, para já, quem está na mira do MP de Leiria, se mais responsáveis da Proteção Civil ou dos bombeiros, autarcas ou mesmo governantes. A constituição de novos arguidos vai avançar nas próximas semanas.

Três responsáveis identificados

Já estão identificados três responsáveis, indiciados pelos crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais também por negligência.

Sérgio Gomes, que comandava o centro distrital de Leiria da Proteção Civil no dia dos incêndios, foi ao hospital acompanhar um filho e acabou por ser também hospitalizado por problemas de saúde alheios ao fogo. É arguido e deverá ser acusado porque não delegou o comando e tentou dirigir as operações à distância. Só às 17h deixou de emitir ordens.

O imediato de Sérgio Gomes, Mário Cerol, nº 2 da distrital de Leiria também é arguido. Foi ele quem comandou as operações quando o primeiro comandante foi hospitalizado. Cerol é advogado, foi mandatário do PS nas eleições autárquicas e comandante dos bombeiros de Alcobaça. O Ministério Público suspeita que tenha sido negligente no comando das operações porque só reagiu tarde demais quando o fogo já era incontrolável.

Augusto Arnaut, comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, é o terceiro arguido conhecido do caso. Da única vez que fez declarações, atribuiu responsabilidades ao caos que se viveu a 17 de junho, às falhas do SIRESP – o sistema de comunicações não terá funcionado adequadamente no dia dos incêndios. A sua advogada disse que Arnaut está "de consciência tranquila".

Os outros três arguidos serão funcionários da Ascendi (dois) e um terceiro de uma empresa subcontratada.

Os relatórios conhecidos até agora arrasam a forma como o combate ao fogo foi dirigido.

Na última quarta-feira o jornal “Público” noticiou uma auditoria interna que a ANPC (Autoridade Nacional de Proteção Civil) fez ao desempenho dos seus agentes nos fogos de 2017. De acordo com este diário, a Proteção Civil cometeu uma série de erros que culminaram no “desaparecimento” de documentos – que foram apagados ou destruídos – sobre os incêndios de Pedrógão Grande.

Os dois arguidos que estiveram no teatro das operações (Mário Cerol e Augusto Arnault) são suspeitos de terem destruído estes documentos, ainda que aparentemente o tenham feito de forma negligente e não dolosa.

O primeiro relatório sobre os incêndios, elaborado pela Comissão Técnica Independente, também denunciou problemas de coordenação e falta de resposta. O Governo comprometeu-se a cumprir as recomendações feitas na altura. Só que a pouco mais de um mês do início do verão, grande parte destas recomendações ainda estão por implementar.