Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Catarina é a jiadista que foi presa na Síria. E não é a única portuguesa detida

AHMAD AL-RUBAYE/GETTY

As duas mulheres de ascendência portuguesa encontra-se retidas no campo de refugiados de Roj, no chamado Curdistão, norte da Síria.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Chama-se Catarina Almeida, tem 47 anos e foi apanhada por forças curdas do YPG quando tentava fugir para Idlib, noroeste da Síria. Esta mulher nascida e criada nos arredores de Paris e com uma vasta família na Guarda, local para onde viajava nas férias de verão (ver texto em baixo), tem um filho no ‘califado’, Dylan Omar Khattab. No final do verão de 2014, foi à procura dele e juntou-se-lhe no Daesh.

É mãe de pelo menos outras três crianças, algumas delas com quem partilha a tenda no campo de refugiados de Roj, situado na Síria, juntamente com uma jiadista alemã e outra paquistanesa. “Catarina não é apenas uma mãe que viajou para a Síria com o objetivo de encontrar o filho. Ela é uma jiadista e terá recrutado pessoas para a organização”, revela uma fonte conhecedora do processo.

Catarina Almeida não é a única mulher de ascendência portuguesa retida em Roj. O Expresso sabe que há outra jiadista de origem portuguesa a viver naquele acampamento do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). As forças de segurança conhecem igualmente a sua identidade mas não foi possível saber de quem se trata.

Na última semana, quando o Expresso revelou a existência de uma mulher em Roj que tinha sido presa pelas forças curdas na Síria, após uma reportagem da rádio francesa Europe 1, uma fonte ligada ao processo garantiu apenas que não se tratava de Ângela Barreto, uma luso-holandesa de 23 anos que se juntou ao Daesh em agosto de 2014. A segunda mulher poderá ser por isso uma jiadista ainda não referida pela comunicação social.

Duas outras tinham sido identificadas em 2015: Joana, filha de um casal de Salvaterra de Magos emigrado no Luxemburgo, partiu para a Síria em 2013. Em menos de um ano passou de mulher a viúva de um jiadista e regressou ao Grão-Ducado. Já Melanie esteve no ‘califado’ entre 2013 e 2014. Filha de portugueses a trabalhar nos arredores de Paris, voltou a França um ano depois. Ambas estão em liberdade e não são consideradas perigosas. Quanto a Ângela Barreto, existe a suspeita de que permanece com os dois filhos nascidos na Síria em território dominado pelas forças de Abu Bakr al-Baghdadi.

Como avançou o Expresso, os serviços de informações acreditam que haja mais de vinte mulheres e filhos de jiadistas na Síria. E defendem que devem ser recebidos em Lisboa sem qualquer hostilidade.

Apologia ao terror

Mas cada caso será um caso. Fontes ouvidas lembram que terão de ser avaliadas as condições psicológicas destas mulheres e crianças e perceber o grau de envolvimento em palcos da Jihad.

Catarina Almeida e Ângela Barreto, por exemplo, são suspeitas de terem feito apologia à ideologia extremista e tentado recrutar jovens para o Daesh, o que, a provar-se, é considerado crime pela lei portuguesa. Terão por isso de ser julgadas se regressarem à Europa.

Quanto aos menores portugueses que sobreviveram, o futuro também parece ser complexo. Existe o risco de alguns estarem “enformados pela ideologia jiadista”, como referiu o último relatório de segurança interna, mas outros serão apenas vítimas do terror. Caberá às autoridades distinguir quem representa um perigo à segurança nacional. E perceber como e onde serão acolhidos e de que forma poderão ser reintegrados num país sem historial de guerra ou de extremismo islâmico.