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Insuficiência cardíaca: o problema que afeta quase meio milhão de portugueses

Peerawat Kamklay

A doença que atinge mais de 400 mil pessoas no país será o grande tema do Momento Expresso que se realiza amanhã, sábado, em pleno Congresso Português de Cardiologia 2018

"A insuficiência cardíaca deve ser um tema prioritário." Quem o diz é João Morais, presidente da Sociedade Portuguesa da Cardiologia, para quem apesar de ser uma doença "com grande influência na mortalidade" é ainda "pouco falada." Ou mesmo "negligenciada" como garante o presidente do Congresso Português de Cardiologia, Marco Costa. E por isso decidiram dar-lhe o devido destaque.

A insuficiência cardíaca vai ser um dos principais temas da edição 2018 da maior reunião portuguesa da área da cardiologia, onde será alvo, amanhã (28 de abril), de um Momento Expresso em Albufeira. Sobretudo quando "há soluções terapêuticas que não existiam no passado" e que vão desde a "farmacologia a intervenções cirúrgicas", sem esquecer a prevenção. Inovações "que exigem discussão", garante Marco Costa.

Trata-se de doença que afeta cerca de 26 milhões de pessoas no mundo inteiro, número que poderá subir 25% até 2030. Em Portugal são perto de 500 mil e a tendência também é "de crescimento" como efeito colateral do "aumento da esperança média de vida" segundo João Morais. "O custo económico é substancial", defende. Por isso acredita que "a criação de um mecanismo pelo ministério da Saúde" que permita identificar melhor os doentes pode poupar custos e vidas.

"Um plano nacional para tratar desta doença" é uma das medidas propostas e um dos temas que certamente será discutido pelo painel composto pelo já mencionado João Morais; Francisco George, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa; Miguel Gouveia, professor Associado da Católica Lisbon School of Business & Economics e; Vicente de Moura, presidente da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca.

Para Marco Costa, é preciso "que os doentes tenham acesso aos novos tratamentos" e criar programas de consciencialização e de aposta na prevenção. E chamar atenção para áreas onde estamos "aquém do que devíamos" como a transplantação, por exemplo. "Temos que tornar o problema mais visível", defende, com recurso a uma "abordagem mais interventiva."

Apesar de "20 anos de grande sucesso no tratamento cardiovascular", há muito a fazer, mas João Morais deixa uma garantia: "Não tendo dúvidas que vamos conseguir." Pode acompanhar o debate de amanhã a partir das 11h em directo no Facebook do Expresso.