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Investigação conclui que psiquiatra Hans Asperger colaborou com o regime nazi

Conhecido por ter dado nome à síndrome do espetro autista que identificou em 1944, o médico defendeu as polítcas de “higiene racial” dos anos 40, tendo chegado a enviar crianças para uma clínica onde era praticada a eutanásia

Documentos e registos de doentes, descobertos pelo historiador Herwig Czech, revelam que o psiquiatra e pediatra austríaco Hans Asperger - cujo nome ficou associado ao síndrome do espetro do autismo - esteve “ativamente envolvido” no programa de eutanásia nazi, na Áustria.

De acordo com esta investigação, cujos resultados foram publicados na revista “Molecular Autism”, esta quinta-feira, o médico enviava crianças para a clínica Am Spiegelgrund, em Viena, conhecida por pôr em prática as políticas de “higiene racial” dos anos 40.

O historiador afirma que Asperger se adaptou ao regime nazi, tendo publicamente legitimado essas políticas, incluindo a defesa das esterilizações forçadas. Em troca, “a sua lealdade foi recompensada com perspectivas de carreira”.

No seu trabalho, Herwig Czech cita vários documentos, nunca antes analisados, nomeadamente dossiês pessoais do médico. Após a anexação da Áustria pelo regime nazi, em março de 1938, Hans Asperger chegou mesmo a assinar os seus relatórios clínicos com a saudação “Heil Hitler”.

O historiador menciona casos concretos, como a transferência de duas meninas, de 2 e 5 anos, para a clínica de em Viena, a mesma onde morreram cerca de 800 crianças, por não cumprirem os critérios de “pureza racial” e não terem “interesse hereditário”. Oficialmente, as causas das mortes ficaram registadas pneumonia.

O síndrome de Asperger foi identificado pelo médico, pela primeira vez, em 1944.