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Maiores de 65 anos caem pelo menos uma vez por ano. Atenção: “Não caia nisso”

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Ao contrário do que se pensa, a grande maioria das quedas de pessoas com mais de 65 anos não acontece na rua, mas em casa ou nos lares. Carlos Evangelista, médico ortopedista do Hospital Ortopédico de Sant'Ana, defende que é vital apostar na prevenção e desmistificar esta fase avançada. “Porque a terceira idade não é condição para não se ter qualidade de vida”

Sofrer uma queda tem sempre consequências imprevistas. Mas no caso dos idosos, os incidentes deste tipo são mais frequentes e os danos são sempre superiores, senão mesmo irreversíveis. Segundo os dados da Direção-Geral da Saúde, os indivíduos com mais de 65 anos costumam cair pelo menos uma vez por ano, enquanto 90% das pessoas com mais de 75 anos sofrem quedas. É com o objetivo de prevenir estes incidentes com a população sénior que é lançada oficialmente esta quarta-feira a campanha “Não Caia Nisso”, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT).

“Num país cada vez mais envelhecido é fundamental sensibilizar esta camada da população para as quedas e as suas consequências que são, normalmente a fratura, sobretudo a do colo do fémur. Por vezes, são situações que podem conduzir à imobilidade ou mesmo à morte”, afirma ao Expresso Carlos Evangelista, médico ortopedista do Hospital Ortopédico de Sant'Ana e responsável nacional do programa de prevenção de quedas.

Segundo este especialista, “apostar na prevenção de quedas é poupar dinheiro no futuro” às famílias, de quem que muitas vezes passam a depender os idosos ou de terceiros, e ao Sistema Nacional de Saúde (SNS). “Não podemos tratar as pessoas conforme a idade que consta do Cartão do Cidadão. A terceira idade não é condição para não se ter qualidade de vida”, diz perentório.

Maior perigo está em casa

Carlos Evangelista salienta que, ao contrário do que se pensa, a maioria das quedas de maiores de 65 anos não ocorre na rua, na calçada ou raízes de árvores, mas em casa e nos lares. Mais de 70% destes incidentes ocorrem em espaços interiores, segundo os dados estatísticos, o que exige determinadas medidas de prevenção. Evitar tapetes ou colocar antiderrapantes, ter cuidado com o piso molhado, preferir polibans a banheiras, evitar fios e desarrumação em casa e iluminar com luz de presença à noite o quarto e a casa de banho, são algumas das dicas sugeridas pela SPOP.

Ricardo Moraes

“Muitas vezes desvalorizamos o risco que o nosso lar comporta. A casa é o nosso ninho, mas encerra muitos perigos. Devemos estar atentos e colocar em prática aquelas medidas que ouvimos frequentemente e que nos parecem banais”, insiste.

O ortopedista sublinha anda que aparte dos factores extrínsecos existem fatores intrínsecos que podem aumentar o risco de quedas entre a população sénior. É o caso dos idosos que sofrem patologias como tensão arterial alta, perda de visão, osteoporose ou diabetes. “Associado a isto estão também os maus hábitos, como a alimentação inadequada ou a falta de exercício físico que favorece a perda do tónus muscular e agrava as consequências de possíveis quedas”, explica.

Situação exige equipa multidisciplinar

Tão ou mais importante do que a prevenção é garantir o tratamento adequado dos idosos que sofrem fraturas através de rápidas intervenção cirúrgicas, defende Carlos Evangelista, realçando que “aos 80 e 90 anos ainda é possível ter qualidade de vida após uma queda.”

Contudo, frisa o especialista, será fundamental uma intervenção multidisciplinar que junte ortopedistas, fisioterapeutas, geriatras, assistentes sociais e psicólogos de forma a garantir a recuperação do idoso. “Muitas vezes, quando um idoso sofre uma fratura tem medo em voltar a andar e não sai da cama. E torna-se um ciclo vicioso, agravando a situação do doente. É preciso contrariar isso”, conclui.

Esta e outras ideias estão também presentes na revista sob o mesmo título “Não Caia Nisso”, que é lançada igualmente esta tarde. A publicação terá uma tiragem de 400 mil exemplares e será distribuída gratuitamente por todo o país juntamente com alguns jornais e revistas, assim como em centros de saúde, hospitais, lares e postos dos CTT, numa iniciativa conjunta da SPOP com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.