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Lisboa com 150 carros eléctricos para alugar

150 Citroen C Zero para alugar em Lisboa para pequenas deslocações

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Depois da partilha de bicicletas e scooters, o município da capital lança um programa com centena e meia de automóveis elétricos reserváveis através de aplicações para smartphones

Se a nossa sociedade fosse organizada segundo os cânones dos filósofos anarquistas do século XIX, poderíamos pegar num dos vários carros estacionados à nossa porta quando precisássemos, guiá-lo até ao nosso destino e deixá-lo à disposição do próximo utente.

É um pouco isto que já se pode fazer em Lisboa com os programas de aluguer de scooters eléctricas e de bicicletas e agora passa a ser possível com automóveis não poluentes. O novo serviço emov, apresentado publicamente esta quarta-feira nos Paços do Concelho, põe à disposição dos lisboetas 150 veículos eléctricos, no caso Citroen C Zero, localizáveis e reserváveis através de uma aplicação para telemóvel. O smartphone abre e fecha os carros e, uma vez concluída a viagem, a viatura é abandonada (desde que num lugar legal de estacionamento, gratuito ou pago) e fica disponível para o alfacinha que se segue.

O custo de utilização é de 21 cêntimos por minuto, o que significa à volta de três euros para uma viagem de 15 minutos. O tempo só começa a contar quanto o condutor entra a bordo e, mesmo que o carro seja estacionado numa zona de parquímetros, não há custos para o utilizador.

 Aplicação para telemóvel permite localizar e alugar carros eléctricos em Lisboa

Aplicação para telemóvel permite localizar e alugar carros eléctricos em Lisboa

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Funcionários da empresa seguirão remotamente os veículos e intervirão no caso de avarias ou de a bateria necessitar de ser recarregada. De qualquer das formas, a aplicação para telemóvel apenas mostrará aos interessados as viaturas que tenham carga suficiente na bateria para poderem movimentar-se sem problemas de autonomia.

Trata-se da aplicação em Lisboa de um programa já testado com sucesso em Madrid. Segundo Fernando Izquierdo, responsável da emov, na capital espanhola “começámos com 500 caros e hoje já são 600”. Nesta fase inicial e até fim de maio, a inscrição no sistema será gratuita e incluirá um bónus de 20 minutos de condução sem custos.

Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, diz tratar-se de um primeiro passo para melhorar quer a mobilidade quer o ambiente dentro da cidade, encorajando as pessoas a não depender tanto do automóvel privado “que está parado a ocupar espaço público 90% do tempo”. No entanto, Medina alertou que se de um momento para o outro passássemos dos carros com motor térmico para os elétricos isso até poderia ser contraproducente, “porque encorajaria uma maior utilização da viatura privada”.

Este projeto visa “ir dando confiança aos lisboetas” de forma a mostrar-lhes que há alternativas, inclusivamente não poluentes, à utilização da viatura privada em meio urbano para pequenos trajetos. Mas, como acentuou o autarca, “as pessoas só aderirão se tiverem a certeza de que há carros à sua disposição para alugar temporariamente em pequenas deslocações sempre que precisem”.

Carris renova frota envelhecida

Questionado pelo Expresso sobre o impacto real destas medidas na mobilidade e na qualidade do ar na cidade, Medina destacou a importância que o transporte público pesado continuará a ter e referiu que nos três concursos de renovação da frota da Carris, dois serão para autocarros a gás natural e um para autocarros eléctricos, “todos destinados a substituir um parque que não foi renovado durante demasiados anos e se tornou uma fonte de poluição”.

O presidente da Câmara recordou que todos os dias entram 370 mil carros em Lisboa e que é imperioso dar alternativas a estas pessoas, que lhes permitam que, pelo menos durante a parte final da viagem em meio densamente urbano, possam recorrer aos transportes públicos ou aos programas de partilha, seja de bicicletas, scooters eléctricas ou agora automóveis eléctricos para minipercursos.