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Apoiantes de Erdogan furiosos com “A Casa de Papel”. “É melhor ser paranoico do que ficar sem Estado”

Foi inclusivamente pedida a intervenção da “polícia e dos serviços secretos”

A série "A Casa de Papel" tornou-se um fenómeno na Turquia - e, como é sabido, em muitos mais países. O fenómeno é de tal modo que a Netflix, aquando do lançamento da segunda temporada da série, fez passar um anúncio rodado em Istambul e expressamente dirigido à audiência turca.

No anúncio veem-se vários atores vestidos com fatos encarnados e cobertos com as suas máscaras a passear pela cidade ao som de "Bella Ciao". Algo que não teve a mínima piada para os apoiantes do presidente Erdogan.

"Desde a música aos slogans, das roupas aos cenários, cada fotograma inclui mensagens subliminares. Isto tem de ser investigado", escreveu Ömer Turan aos seus mais de 136 mil seguidores no Twitter. Para este comentador da cadeia Akit TV, o anúncio de "A Casa de Papel" incita os jovens turcos a um "segundo Gezi", a revolta que em 2003 ameaçou o governo de Erdogan e que os islamistas turcos veem como um confronto organizado pelas grandes potências para destruir a Turquia. "É melhor ser paranoico do que ficar sem Estado", afirmou Turan.

A estas palavras seguiram-se as do ex-presidente da Câmara de Ankara Nelih Gökçek (quatro milhões de seguidores), que pediu a intervenção da "polícia e dos serviços secretos". Gökçek diz que "A Casa de Papel" está a tornar-se um "símbolo de rebeldia" muito perigoso.