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Primeiro presidente português da Academia Europeia de Ciências é empossado esta sexta-feira

Rodrigo Martins com a mulher Elvira Fortunato, galardoada em 2016 com a Medalha Blaise Pascal, atribuída por um comité científico da Academia Europeia de Ciências a que passa a presidir nos próximos quatro anos

ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Rodrigo Martins, empossado esta sexta-feira como presidente da Academia Europeia de Ciências, considera que a academia deve ser aberta ao mundo e apta a responder a desafios. O futuro presidente considera que a Academia deve abrir expandir-se além Europa, pois a ciência “não tem fronteiras”

O investigador e professor Rodrigo Martins, um dos inventores do papel eletrónico, é empossado esta sexta-feira, em Bruxelas, como presidente da Academia Europeia de Ciências, tornando-se o primeiro português a assumir o cargo.

O docente catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa, eleito pelos academistas para um mandato de quatro anos, assume à Lusa como prioridades a abertura da instituição aos cientistas mais jovens e aos cidadãos e a promoção do diálogo entre as diferentes academias e sociedades científicas.

"Quero uma academia aberta ao mundo, apta a responder a desafios", frisa.

Rodrigo Martins vai ser empossado como presidente da Academia Europeia de Ciências na Fundação Universitária de Bruxelas, Bélgica, numa cerimónia em que é esperada a presença do comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.

Presidente do Departamento de Ciência dos Materiais da FCT da Universidade Nova de Lisboa, Rodrigo Martins pretende um "maior envolvimento" dos cientistas mais jovens e, com isso, promover uma "maior aproximação" da academia aos cidadãos.

A pensar nos cidadãos, propõe-se avançar com um novo portal da academia, mais interativo, através do qual as pessoas possam apresentar sugestões e participar nos projetos científicos.

O especialista em materiais semicondutores e microeletrónica crê que a "inclusão de aspetos societais nos projetos", como o de as investigações definirem o impacto que vão ter nos cidadãos ou o de responderem a problemas concretos, vai "aos poucos e poucos cativando o interesse dos cidadãos para a ciência".

A "empatia com o público" passa também por lançar uma ideia e colocá-la à discussão no mundo através das redes sociais.

"Utilizar as redes sociais para a promoção da ciência... um primeiro passo de aproximação às pessoas", defendeu.

Rodrigo Martins considera que, apesar de europeia, a Academia de Ciências deveria ter mais membros de fora do Velho Continente do que tem atualmente, porque "a ciência é global, não tem fronteiras".

Em nome de uma "investigação cada vez mais global", o novo presidente da Academia Europeia de Ciências quer "promover a união, o diálogo" entre as diferentes academias, associações e sociedades científicas.

"Para explorarmos juntos o que pode ser feito em comum", diz.

O cientista entende que o facto de ser português pode jogar a favor das "linhas de ação" que delineou, uma vez que "os portugueses sabem fazer pontes, sabem ser flexíveis". Rodrigo Martins é diretor do Centro de Excelência de Microeletrónica e Optoeletrónica de Processos, ligado à Universidade Nova de Lisboa.

Dirige ainda o Grupo de Materiais para Eletrónica, Optoeletrónica e Nanotecnologias do Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT), também associado à mesma universidade e do qual é diretora a sua mulher, Elvira Fortunato. Ambos são os 'progenitores' do papel eletrónico.

O novo presidente da Academia Europeia de Ciências, eleito pelos seus pares, é membro do Conselho Consultivo do Horizonte 2020, programa europeu para a inovação e ciência dirigido pelo comissário português Carlos Moedas.

Rodrigo Martins é membro da academia desde 2016, ano em que sua mulher foi galardoada com a Medalha Blaise Pascal, atribuída por um comité científico da mesma organização.