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Zuckerberg, o humilde: “I’m sorry”

POOL/ Getty Images

CEO do Facebook começou esta terça-feira a ser ouvido no Congresso norte-americano a propósito do escândalo Facebook/Cambridge Analytica. “Não vendemos dados”, garantiu

A assunção de um erro e um pedido de desculpas: assim arrancou Mark Zuckerberg a audição perante o Congresso norte-americano sobre o escândalo Facebook/Cambridge Analytica. O CEO da rede social começou esta terça-feira a ser ouvido e vai ser novamente presente aos congressistas esta quarta-feira, mas na Câmara dos Representantes.

“É claro que não fizemos o suficiente para prevenir [algumas] ferramentas de serem mal usadas. Isto aplica-se tanto às fake news, interferência estrangeira nas eleições, discursos de ódio, programadores e privacidade de dados. A nossa visão não foi ampla o suficiente e isso foi um grande erro. Foi um erro meu e peço desculpa”, disse Zuckerberg no discurso que levou preparado para os congressistas, minutos antes de começarem as perguntas.

Questionado se houve funcionários do Facebook envolvidos no acesso de dados usados pela Cambridge Analytica, Zuckerberg respondeu apenas: “Não ouvi nada sobre isso”, “não sei nada sobre isso”.

Mais tarde os senadores voltaram a insistir no papel dos funcionários da empresas. “Pode um funcionário do Facebook aceder aos meus dados?”, questionaram. Zuckerberg demorou, hesitou por momentos: “Teoricamente sim”. Depressa tentou dar garantias de segurança: “Mas nunca o faríamos”.

Zuckerberg confirmou ainda que está trabalhar com Robert Mueller no âmbito da investigação à alegada interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Acrescentou ainda que está ciente que “há gente na Rússia cujo trabalho é explorar os nossos sistemas”. “É uma corrida de armamento. Enquanto existirem essas pessoas cujo único trabalho é estarem sentados a interferir nas eleições, o nosso trabalho não acaba”, defendeu.

“Um dos meus grandes arrependimento na gestão desta empresa foi termos sido lentos a identificar as operações russas em 2016”, disse. E mais à frente o assunto voltou a ser motivo de perguntas: “Queremos garantir que não há interferências nas eleições que vão acontecer em 2018 por todo o mundo".

“Não vendemos os dados de ninguém”

Mark Zuckerberg garantiu ainda que o Facebook não vende informação privada dos seus utilizadores. “Não vendemos dados. Os anunciantes não têm acesso a qualquer informação”, assegurou. Em seguida explicou que a rede social permite que as pessoas transfiram os dados para outras apps mediante autorização. “Chama-se portabilidade. Se as pessoas querem, trazem a informação de um aplicação para a outra.”

O CEO do Facebook recusou que ele ou a empresa sejam vítimas no meio da polémica, mas quando questionado sobre se os utilizadores dos dados roubados foram vítimas, a resposta foi diferente. “Sim…[pausa] na medida em que não queriam que a informação fosse vendida à Cambridge Analytica por um programador.”

Segundo Zuckerberg , os dados da Cambridge Analytica foram vendidos a pelo menos duas empresas.

Segundo a Associated Press, o CEO do Facebook levou para a sua audição notas para saber responder caso algum dos senadores o questionasse sobre deixar a liderança da empresa. Durante mais de quatro horas e depois de respondidas às questões dos 44 senadores, a pergunta para o qual vinha também preparado nunca foi colocada.

Entre esta terça e quarta-feira, Zuckerberg é ouvido no congresso norte-americano. Primeiro pelo Senado e agora segue-se a Câmara dos Representantes (a câmara baixa do Congresso).