Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Investir em áreas balneares rende €25 e €55 milhões em benefícios socioambientais

DR

Estudo pioneiro calculou os “números invisíveis” dos benefícios sociais e ambientais dos investimentos feitos nos últimos anos na requalificação e defesa de praias galardoadas com a Bandeira Azul

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

“Se queremos olhar para os números, então temos de olhar para os números todos e não esquecer os invisíveis”. É assom que Nuno Gaspar Pereira, biólogo e coordenador científico do estudo “O Lado Verde da Bandeira Azul”, promovido pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), sintetiza o trabalho apresentado esta terça-feira, em Lisboa.

O exercício piloto avaliou os benefícios económicos, sociais e ambientais dos investimentos feitos durante anos na requalificação e proteção de praias galardoadas com a Bandeira Azul em seis concelhos de Portugal continental − tendo em conta variáveis como infraestruturas existentes ou melhorias no tratamento das águas residuais e correspondente qualidade das águas para banhos − e estimou que os milhões investidos (e que poderiam ter um “saldo vermelho”) resultaram num saldo “verde” positivo “de 25 a 55 milhões de euros, tendo em conta os bens e serviços ambientais públicos gerados”, indica Nuno Gaspar Pereira.

O investigador lembra que “há efeitos multiplicadores destes investimentos na economia local e nos ecossistemas" e qlerta para a necessidade de "olharmos para todos os valores em jogo”.

Em análise estiveram praias do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, e praias costeiras de Matosinhos, Mira, Figueira da Foz, Torres Vedras e Loulé. “Em cada uma delas pudemos avaliar os benefícios socioeconómicos e ambientais, que vão da dinamização de atividades locais, à compatibilização entre turismo e conservação da natureza, passando pelo desenvolvimento de atividades de educação ambiental”, explica. E enfatiza: "O objetivo foi testar abordagens técnicas para valorar, em termos económicos, os benefícios socioambientais, de forma a dar maior expressão política e social ao esforço de investimento feito nas últimas décadas na promoção de bens e serviços públicos de cariz ambiental".

Promovido pela ABAE, o estudo contou com a colaboração dos seis municípios identificados e o apoio de uma comissão de acompanhamento composta por elementos da Agência Portuguesa do Ambiente, da Águas de Portugal, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, do Turismo de Portugal e a consultoria de João Oliveira Soares, do Instituto Superior Técnico, e de Miguel Marques, especialista em assuntos de economia do mar da Secretaria Regional Ambiente e do Mar dos Açores.