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“Uma grande manifestação nacional, depois logo se verá”: professores voltam à rua a 19 de maio

Recuperação do tempo de serviço congelado continua a opor sindicatos e Governo

Depois das greves de março, os professores voltam aos protestos em maio, com a realização de uma "grande manifestação nacional" no dia 19, com concentração no Largo do Rato, onde fica a sede do PS em, Lisboa, e que seguirá depois para o Rossio, anunciaram esta segunda-feira as dez organizações sindicais que permanecem juntas na contestação.

Em causa está a recuperação do tempo de serviço congelado. Os sindicatos querem a contagem dos "9 anos, 4 meses e dois dias" em que as suas carreiras estiveram congeladas, primeiro num dos governos de José Sócrates e depois de Passos Coelho; o Governo diz que só poderá recuperar 2 anos e 10 meses do período entre 2011 e 2017. Mais do que isso pode gerar "insustentabilidades" capazes de comprometer financeiramente o país, tem argumentado o Governo.

"Não podemos aceitar uma proposta que elimina 70% do tempo efetivamente cumprido pelos professores. Nem foi esse o compromisso assumido pelo Ministério da Educação e pelo Ministério das Finanças na declaração que assinámos em novembro. O que ficou definido é que iríamos negociar uma forma de recuperar o tempo. E estamos disponíveis para que isso aconteça faseadamente até ao final da próxima legislatura, em 2023", explica Luís Lobo, secretário nacional da Fenprof.

Além disso, acrescenta o dirigente sindical, o próprio Parlamento aprovou no final do ano, com os votos favoráveis do PS, uma resolução recomendando ao executivo que "garanta que é contado todo esse tempo para efeitos de progressão na carreira e da correspondente valorização remuneratória".

É nesta diferença considerável de contas que sindicatos e Governo irão agora prosseguir as negociações. Se não se entenderem, os professores manifestarão na rua o seu descontentamento: "Não sei se estarão 70 mil ou 100 mil, como nos tempos da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Mas vai ser uma grande resposta. Vamos encher o Largo do Rato", antecipa Luís Lobo.

Já este mês, a Fenprof irá reunir-se com os grupos parlamentares, estando ainda à espera de resposta ao pedido de encontro que fez ao Presidente da República.

Se o impasse se mantiver, Luís Lobo não antecipa medidas de luta. Mas com o 3º período em marcha e as avaliações finais a acontecerem em finais de maio e junho, é fácil perceber por onde poderão ir as ações de protesto dos professores. "Depois logo se verá", dizem por agora as organizações sindicais.