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Facebook revela que 63 mil pessoas em Portugal podem ter sido afetadas pelo caso Cambridge Analytica

reuters

Durante uma conferência de imprensa por telefone na qual o Expresso participou, Mark Zuckerberg assumiu responsabilidades pelo sucedido, reconhecendo que a rede social “não fez o suficiente”

O número de pessoas que, em Portugal, fizeram o download da aplicação “thisisyourdigitallife” no Facebook é de aproximadamente 15. Segundo uma estimativa da rede social liderada por Mark Zuckerberg, isto significa que 63080 pessoas, no máximo, podem ter sido afetadas no país.

“Realizámos uma análise interna para o número de pessoas que potencialmente foram afetadas”, explica a tecnológica em comunicado. “Usámos uma metodologia expansiva - esta é a nossa estimativa mais correta do número de pessoas que instalaram a app, tal como os dados dos seus amigos que podem ter sido acedidos.”

Foram também estes cálculos que permitiram, esta quarta-feira, rever em alta - de 50 milhões para 87 milhões - o número de perfis que foram afetados pela Cambridge Analytica. A empresa britânica terá acedido, através da aplicação “thisisyousdigitallife”, a dados de utilizadores que foram usados ao serviço da campanha presidencial de Donald Trump, durante as últimas eleições presidenciais norte-americanas.

Investigar, informar, restringir

Esta quarta-feira, durante uma conferência de imprensa por telefone na qual o Expresso participou, Mark Zuckerberg assumiu responsabilidades pelo sucedido, reconhecendo que a rede social “não fez o suficiente” para combater as notícias falsas, interferência estrangeira em eleições, discurso de ódio e quebras na privacidade dos dados.

O líder da tecnológica recorda que recentemente anunciou que a empresa vai investigar de forma aprofundada cada aplicação que tenha acesso a uma grande quantidade de dados dos utilizadores e realizar alterações para restringir o acesso que as aplicações têm aos dados. Nomeadamente através de eventos e grupos no Facebook.

Outra das alterações passa por obrigar as aplicações que as pessoas não tenham usado durante algum tempo a pedir nova autorização aos utilizadores para acederem a novos dados.

No caso das notícias falsas e da interferência em eleições, em particular, Zuckerberg garante que vai aumentar o número de pessoas que trabalham na revisão de conteúdo e segurança, de 15 mil para 20 mil.

“Este vai ser um grande ano de eleições, com as eleições intercalares nos Estados Unidos e presidenciais na Índia, Brasil, México, Paquistão, Hungria, entre outras”, indica. “Por isso, este será um grande foco da empresa.” De que forma? Identificando, monitorizando e removendo contas falsas, como fez no caso da Internet Research Agency russa.

Notícia atualizada às 11h58