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Sociedade

Elvira Fortunato ganha bolsa de 3,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação

Elvira Fortunato e o marido, o cientista Rodrigo Martins, são pioneiros mundiais na eletrónica de papel

ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

A investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa vai instalar com a bolsa milionária um laboratório de nanocaraterização avançada de materiais que deverá tornar-se numa referência internacional

Elvira Fortunato, investigadora do Departamento de Ciência dos Materiais da Universidade Nova de Lisboa (UNL), obteve uma bolsa avançada do Conselho Europeu de Investigação (ERC) no valor de 3,5 milhões de euros, a maior de sempre atribuída a Portugal e a maior das bolsas avançadas atribuídas aos investigadores de todos os países europeus e fora da Europa em 2018, revela um comunicado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL.

A cientista, que dirige o Laboratório Associado CENIMAT/i3N, afirma que se trata de "um sonho tornado realidade", depois de ter submetido, no ano passado, o projeto agora contemplado com uma bolsa milionária.

O projeto "DIGISMART - Multifunctional Digital Materials Platform for Smart Integrated Applications", propõe-se revolucionar a forma como se fabricam os circuitos integrados e componentes de eletrónica, sem recurso ao silício, e explorando materiais "amigos do ambiente com propriedades excecionais à nanoescala".

Tecnologias amigas do ambiente

Um dos principais aspetos subjacentes a todo o projeto é a utilização de materiais sustentáveis e "tecnologias amigas do ambiente". A ideia, explica a Elvria Fortunato, não é fazer a integração de vários componentes de eletrónica para uma determinada função, mas sim ter um só dispositivo capaz de desempenhar várias funções.

Trata-se da segunda Bolsa Avançada (Advanced Grant) atribuída à cientista portuguesa pelo ERC. A primeira bolsa foi ganha precisamente na primeira edição, em 2008, e teve o valor de 2,5 milhões de euros, com um projeto que permitiu comprar um microscópio eletrónico e instalar um laboratório de nanofabricação, que é hoje uma referência internacional.

A nanfoabricação é a produção à escala do nanómetro, um milímetro a dividir por um milhão. O microscópio eletrónico custou um milhão de euros, aumenta os objetos até um milhão de vezes e é único no mundo porque foi fabricado à medida pela Zeiss para aquele laboratório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL.

"Com esta segunda bolsa irá ser instalado um laboratório de nanocaracterização avançada, que esperamos vir também a ser uma referência internacional", afirma Elvira Fortunato.