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Novo prémio internacional vai distinguir obras em papel

Maria da Graça Carmona e Costa, a presidente do júri do prémio

António Pedro Ferreira

O Prémio Navigator Arte em Papel, da Navigator Company e desenvolvido em parceria com o Expresso, é o primeiro que surge em Portugal aberto a artistas de todo o mundo

Um novo prémio anual no valor total de 50 mil euros acaba de surgir no mundo das artes. O Prémio Navigator Arte em Papel, da Navigator Company e desenvolvido em parceria com o Expresso, é o primeiro que surge em Portugal aberto a artistas de todo o mundo, tendo como objetivo principal a valorização do papel como suporte para a criação artística. E aqui a amplitude dos trabalhos e artistas é vasta, já que abarca espaços que podem ir da pintura ao desenho, da ilustração à gravura, à escultura e não só. “O papel é aqui o suporte físico fixo, sendo que hoje em dia as disciplinas artísticas não têm limitações como costumavam ter”, explica ao Expresso Filipa Oliveira, curadora deste projeto.

“Quisemos por isso criar um prémio no qual o papel está na base”, mas cujo “âmbito é absolutamente vasto e aberto a praticamente quase todas as disciplinas”. Filipa Oliveira nota, por exemplo, que “a escrita enquanto expressão visual pode fazer parte do âmbito deste prémio, até “porque há muitos artistas que trabalham a palavra”. Não fará, contudo, aqui sentido a escrita enquanto literatura. O único elemento que se mantém fixo é o papel, surgindo o prémio de uma ideia de “pensar a importância que continua a ter nas artes e na nossa sociedade”. Porque, como observa, “esta é uma sociedade digital que ainda precisa muito do papel”. “Queremos premiar artistas em meio de carreira”, revela a curadora, sugerindo a que grupo de artistas o Prémio Navigator Arte em Papel será essencialmente destinado. “Em Portugal há muitos prémios dedicados a jovens artistas, há alguns para fazer a consagração de carreiras, mas o que não se vê é este momento do meio”, explica, notando por isso que esse momento no percurso de um artista “era por isso o que precisava mais do apoio neste momento”. Por serem “artistas a meio de carreira muitas vezes são pessoas que já não concorrem a prémios”, daí o método escolhido, que aposta na nomeação. O prémio é internacional, aberto a artistas de todas as nacionalidades.

O júri será constituído por cinco elementos, escolhido “entre figuras portuguesas e internacionais, entre diretores de museus e pessoas ligadas ao papel” e também com trabalho feito em curadorias e na realização de exposições. Além de Filipa Oliveira, que tem grande experiência em curadoria e que de 2015 até finais de 2017 foi diretora artística do Fórum Eugénio de Almeida (Évora), presidirá ao júri Maria da Graça Carmona e Costa (que ao longo dos anos realizou exposições com grande parte dos artistas portugueses e dirige a Fundação Carmona e Costa), o alemão Anselm Franke (que dirige o departamento de artes visuais e cinema da Haus der Kulturen der Welt, em Berlim) e a francesa Elfi Turpin (diretora artística do Centre Rhénan d’Art Contemporain, em Altkirch). Um quinto elemento está ainda por nomear.

Na primeira etapa do concurso cada membro do júri nomeia três pessoas. “Não se trata de escolher uma peça em particular, mas sim toda a obra de um artista.” Olhar para o total da obra, apreciá-la sob um ponto de vista global “é importante para o concurso”. Das nomeações feitas pelos membros do júri surge uma lista com 15 artistas que, depois de avaliados em conjunto, irá gerar uma shortlist de apenas cinco, que será tornada pública, seguindose depois o anúncio do vencedor. A reunião do júri terá lugar na segunda metade de abril. Do prémio monetário, 30 mil euros serão entregues ao vencedor e 5 mil euros a cada um dos restantes quatro finalistas.

Em julho será feita uma exposição com os cinco nomeados na fábrica da Navigator, em Setúbal. “Quisemos usar mesmo a fábrica de papel como lugar de suporte para uma exposição que será bastante invulgar neste lugar onde habitualmente não se apresentam obras de arte.” Além do prémio haverá depois algumas ações associadas “mais no âmbito educativo”, revela Filipa Oliveira.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 30 de março de 2018