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A viagem da Tiangong-1 está quase a chegar ao fim

Em setembro de 2011, a China lançou a sua primeira estação espacial, a Tiangong-1.

Lintao Zhang/Getty Images

Estação espacial chinesa deve entrar na atmosfera terrestre a partir da meia-noite. Mas a região aproximada onde poderão ser vistos os destroços é quase impossível de definir. A probabilidade de alguém ser atingido por um pedaço da estação espacial é milhões de vezes menor do que ser atingido por um raio

A estação espacial chinesa Tiangon-1 deverá entrar na atmosfera na noite de domingo para segunda-feira, mas o local onde poderão cair os destroços que sobrevivam à aproximação à Terra continua a ser quase imprevisível. A partir dos dados mais recentes relativos à órbita da estação e às previsões meteorológicas espaciais, as últimas estimativas das autoridades chinesas indicam que a reentrada ocorrerá entre a meia-noite deste domingo e a madrugada de segunda-feira.

A zona a verde indica a área de reentrada na Terra

A zona a verde indica a área de reentrada na Terra

Quanto ao local da queda, a zona foi delimitada entre as latitudes 42.8 graus Norte e os 42.8 graus Sul . Ou seja, algures entre a Austrália, a região centro dos Estados Unidos, o continente africano ou o sul da Europa, Portugal incluído. As probabilidades de caírem próximo dos pontos máximos e mínimos de latitude são maiores do que em relação às regiões equatoriais. Mas a complexidade de modelar a atmosfera, as dinâmicas de reentrada dos objetos espaciais e as limitações na visualização da estação tornam impossível uma estimativa mais precisa, explica-se no blogue da Agência Espacial Europeia (ESA), um dos sites onde é possível acompanhar as informações mais recentes sobre a última viagem da Tiangon-1.

A Tiangong 1, com mais de 10 metros de comprimentos e cerca de 8,5 toneladas (com combustível, no momento em que foi lançada), entrará na atmosfera deslocando-se 26 mil quilómetros/hora. A velocidade e a temperatura que irá atingir irão provocar a sua desintegração. E ainda que haja fragmentos que possam chegar à superfície na Terra, os riscos são ínfimos, garantiu já o organismo chinês responsável pela conceção de voos espaciais tripulados (CMSEO): “As pessoas não têm motivo para se preocupar. Este género de estação espacial não cai violentamente sobre a Terra como nos filmes de ficção científica, mas desintegra-se como uma magnífica chuva de meteoros num belo céu estrelado, à medida que os respetivos destroços avançam em direção à terra.”

Menos provável do que ser atingido por um raio

A ESA também desvaloriza os riscos, lembrando que nunca até agora se registaram quaisquer vítimas causadas pela queda não controlada de objetos espaciais e que a probabilidade de alguém ser atingido por um pedaço da Tiangong 1 é 10 milhões de vezes mais baixa do que a hipótese de se ser atingido por um raio ao longo de um ano. É que grande parte da Terra é composta por mares e oceanos e regiões desabitadas.

A Tiangon-1 é a primeira estação especial chinesa, foi lançada a 30 de setembro de 2011 a partir da Mongólia e funcionou como um laboratório espacial experimental, tendo sido visitada por três missões, duas delas tripuladas.

A seguir ao lançamento, a estação começou a perder a sua órbita. Em Terra, os engenheiros iam garantindo que mantinha a altitude prevista: entre os 330 e os 390 kms acima da superfície da terra, explica-se no blogue da Agência Espacial Europeia ESA. Os planos iniciais passavam por garantir uma reentrada controlada da estação, com os técnicos a provocar o incêndio dos motores e desacelerando o veículo espacial. A operação iria fazer com que quaisquer peças que não se tivessem desintegrado caíssem sobre uma região não habitada no sul do Oceano Pacífico.

No entanto, em março de 2016 a estação deixou de funcionar. Com o controlo a partir da Terra interrompido, os motores deixaram de poder ser incendiados à distância. Daí o regresso “descontrolado” da estação, que manteve até agora a sua integridade física intacta.