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Estrangeiros dos Hells Angels vivem em Portugal

d.r.

Ataque ao grupo de Mário Machado foi realizado por 30 motards de extrema-direita. Continuam em fuga

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A maior parte dos motards estrangeiros que participou no ataque violento no restaurante Mesa do Prior, em Loures, no último sábado tem residência em Portugal. Oriundos de países do norte da Europa, como o Reino Unido, Alemanha, Suécia, Bélgica ou Finlândia, estes elementos dos Hells Angels vivem há alguns anos em Lisboa, e no sul do país.

Ainda assim, várias fontes ouvidas pelo Expresso não excluem que “um ou dois” dos suspeitos estrangeiros tenham viajado de propósito para Lisboa para organizar e participar na emboscada contra os Bandidos, grupo rival apadrinhado por Mário Machado, dirigente neonazi, em liberdade condicional desde 2017, após cumprir uma pena de dez anos de prisão por crimes de discriminação racial, roubo, extorsão e posse ilegal de arma.

O Expresso sabe que no total participaram no ataque perto de 30 pessoas ligadas aos Hells Angels, organização de motards também de extrema-direita. Até ao fecho da edição, nenhuma delas tinha sido capturada pelas autoridades. A operação é liderada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ que está igualmente preocupada em evitar represálias por parte dos Bandidos nesta quase assumida guerra de território pelos negócios da noite. Mário Machado já deu algumas pistas do que se seguirá perante as câmaras de televisão: “Agora vamos para intervalo. Nesta festa, vocês com certeza vão ter muito para falar no futuro.” Depois fez um movimento de degolação, passando uma mão com um dedo em riste pelo pescoço. Ao Expresso não quis fazer mais comentários. Ao contrário dos Bandidos, que estão a dar os primeiros passos na Grande Lisboa e contam com algumas dezenas de elementos, os Hells Angels já se encontram há vários anos espalhados de norte a sul do país. O total do universo, que inclui os chamados full colours, supporters e prospects (designação para as várias hierarquias do grupo) ultrapassa as 150 pessoas, de acordo com fontes da área do contraterrorismo.

As autoridades vigiam há alguns anos as ligações dos Hells Angels ao submundo da segurança noturna bem como aos negócios da droga e das armas. Ainda assim, não haverá muitos elementos detidos. “Os poucos casos de polícia estão até relacionados com crimes menores“, assegura um dos especialistas na matéria, no anonimato.

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2017, divulgado quinta-feira, revela que “a extrema-direita portuguesa continuou a aproximar-se das principais tendências europeias, na luta pela ‘reconquista’ da Europa pelos europeus” e que “além de intensificarem os contactos internacionais, estes extremistas desenvolveram um esforço de convergência dos diferentes sectores (identitários, nacional-socialistas, skinheads), no sentido de promoverem, no plano político, os seus objetivos”.