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Contra o (alto) preço da habitação, marchar, marchar

Marcha Rock in Riot - Ocupar a Rua, Reclamar a Cidade, em Lisboa

Manuel Almeida/LUSA

"Turistas não são habitantes" ou "câmara ao serviço dos cidadãos, não ao serviço do dinheiro" são alguns dos slogans gravados nos cartazes que, este dia 24, algumas centenas de pessoas fizeram desfilar pelas ruas de Lisboa. Este foi o primeiro protesto do movimento Rock in Riot contra a política de gestão que os poderes públicos têm aplicado na cidade de Lisboa, nomeadamente no que diz respeito à habitação

Algumas centenas de pessoas manifestam-se, este sábado à tarde, contra a política de gestão que os poderes públicos têm aplicado na cidade de Lisboa, nomeadamente em relação à habitação, num protesto organizado pelo grupo Rock in Riot.

Os manifestantes começaram a concentrar-se cerca das 14h na Alameda Dom Afonso Henriques, tendo pelas 16h30 iniciado um desfile pela Avenida Almirante Reis, passando pelo Martim Moniz, até à Praça do Intendente, percurso que esteve cortado ao trânsito pela PSP.

No desfile estiveram algumas viaturas com grupos musicais, existindo também cartazes em que se lê “não somos especuladores, somos espectadores”, “turistas não são habitantes”, “respeitem as licenças de habitação”, “ocupar as ruas, reclamar a cidade” e ainda “câmara ao serviço dos cidadãos, não ao serviço do dinheiro”.

“A iniciativa partiu de um conjunto de pessoas diverso e de várias associações e coletividades que se juntaram para tentar mostrar o que sentem, o que está errado na cidade, e para mostrar que há possibilidade de reclamar a cidade e de fazer deste espaço um espaço nosso. Há uma série de questões que estão a afetar a cidade de Lisboa e que já afetaram outas cidades, que estão a afastar as próprias pessoas que cá vivem”, disse à agência Lusa Inês Carvalhal, da organização.

Segundo o grupo de cidadãos e associações denominado Rock in Riot, “a modernização de Lisboa nas últimas décadas tem vindo a redesenhar o território metropolitano enquanto um gigantesco negócio”.

“Os espaços que outrora eram vividos coletivamente estão agora reconfigurados enquanto mero meio de criar dinheiro e as infraestruturas que visavam organizar a vida coletiva parecem agora apenas organizar a velocidade das interações económicas”, sublinha a nota divulgada pelo Rock in Riot para anunciar a iniciativa de dia 24.

Em causa está ainda a subida do preço das habitações, o aumento dos despejos e a segurança dos inquilinos.

Bernardo Alves, também da organização, destacou que a manifestação é “exatamente contra as políticas de habitação”, já que o espaço habitacional está a ser utilizado “apenas como um negócio e não com a sua função de habitação”.

“Pretendemos mais levantar questões do que dar respostas, do que dizer à Câmara o que deve ou não fazer. Devemos pensar esta ação de rua como um barómetro para questionarmos simbolicamente todas estas dinâmicas urbanas que têm vindo a pautar a cidade nos últimos tempos e que estão a tornar cada vez mais insustentável a questão da habitação em Lisboa”, explicou Bernardes Álvares, elemento da organização do protesto.

“Uma perspetiva alargada da cidade torna claro que o aumento dos preços da habitação é fruto dos negócios partilhados entre a banca, os fundos imobiliários e o poder autárquico. A expulsão das populações mais pobres e marginalizadas do centro, a gestão policial dos bairros das periferias […] ou a privatização de ruas, praças, jardins e teatros municipais não são fenómenos separados, mas constituem a expressão da forma como o espaço urbano se tornou numa máquina produtora de capital”, destacam ainda os organizadores do protesto na informação distribuída.