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Marroquino que vivia em Aveiro acusado de terrorismo por suspeitas de ligação ao Daesh

Lucília Monteiro

MP deduziu acusação contra homem que está em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Abdessalam Tazi foi acusado de um crime de adesão a organização terrorista internacional, um crime de falsificação com vista ao terrorismo, quatro crimes de uso de documento falso com vista ao financiamento do terrorismo, um crime de recrutamento para terrorismo e um crime de financiamento do terrorismo.

O marroquino de 64 anos, que está detido preventivamente na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, desde março do ano passado, é suspeito de ser um operacional do Daesh.

A Procuradoria-Geral da República revela que viajou para Portugal, tendo recrutado jovens marroquinos no Centro Português de Refugiados, em Aveiro. "Terá, designadamente, recrutado um cidadão que foi, depois, detido em França pela tentativa de realização de ataque terrorista naquele país". Trata-se de Hicham El Hanafi, que viveu com Tazi num apartamento daquela cidade.

Em Portugal, Abdessalam Tazi seria o líder da célula de radicalização que operou entre 2014 e 2016, com centro em Lisboa, sede em Aveiro e ligações à Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França e ao Daesh. Porém, “nunca foram recolhidas provas suficientes para o deter em território português”, acrescenta uma fonte oficial.

Ainda segundo a acusação, o arguido terá, ainda, através da utilização de cartões de crédito falsos, obtido fundos com o objetivo de financiar atividades relacionadas com o terrorismo e que seriam levadas a cabo por jovens por si radicalizados.

Tazi terá sido denunciado por três jovens marroquinos que tentou recrutar para a organização terrorista. Numa carta enviada ao Expresso no final do ano passado, o marroquino queixou-se que foi denunciado às autoridades portuguesas por três cidadãos marroquinos, um deles irmão mais velho de Hicham El Hanafi. E negou que fosse terrorista.

O marroquino foi preso na Alemanha no início do verão de 2016, acusado de burla. Cumprida a pena foi extraditado para Portugal e ficou em prisão preventiva em Monsanto.

Durante esta investigação levada a cabo pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, e que teve o apoio dos serviços de informações portugueses e do SEF, "correm termos contra o arguido processos de idêntica natureza na Alemanha e na França".

Em relação aos factos investigados neste último país, as autoridades francesas emitiram mandado de detenção europeu, "tendente à oportuna entrega do arguido".

No âmbito da investigação foram realizadas diligências de Cooperação Judiciária Internacional, nomeadamente troca de informações com os países da União Europeia e reuniões de coordenação ao nível da Eurojust.