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Sociedade

PJ desmantela centro de emissão das “cartas da Nigéria”

Denominada “operação print”, a investigação judicial continua em vários países europeus

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), desencadeou uma operação destinada a desmantelar um centro de emissão das chamadas “cartas da Nigéria”, através das quais se praticavam crimes de burla informática, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.

Segundo Carlos Cabreiro, diretor da UNCT, o centro de operações a partir do qual a organização controlava o esquema fraudulento que visava o aliciamento de vítimas por cujas contas bancárias circulam elevados montantes de depósitos em dinheiro de origem duvidosa estava sediado na zona de Lisboa, onde foi possível deter “um dos principais responsáveis da organização e constituir outra pessoa como arguida”.

Em comunicado, a PJ revela que no decurso da investigação foi apreendida diversa documentação com interesse probatório, bem como vários sistemas informáticos e de telecomunicações já em exame digital forense, sendo que uma análise preliminar permitiu equacionar ter sido desmantelado um ponto de emissão de “cartas da Nigéria” destinadas a vítimas de várias nacionalidades na Europa.

O desmantelamento da rede em Portugal, que a PJ suspeita ter ramificações na Alemanha, em França, na Holanda e em Espanha, países para os quais foram efetuadas várias transferências suspeitas, não encerra a operação print, investigação mantida em aberto após a Polícia Judiciária ter ativado os “canais de cooperação policial internacional, tendo em vista a determinação da extensão da atividade criminosa”.

Segundo Carlos Cabreiro, as vítimas acedem a facultar dados pessoais e bancários “aliciadas com promessas de mundos e fundos”, um esquema que teve os seus primórdios nos anos 90, então através correspondência em papel, remetida inicialmente de países africanos, razão pela qual foram rotuladas “cartas da Nigéria.

Nos últimos anos, todo a operação, da recolha de dados às transferências de branqueamento de capitais, é feita através de plataformas digitais.